desenredo, subst.
masculino -
ação ou efeito de
desenredar (-se);

Desenredo
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desenredamento;
desprender-se da rede;
separar-se do que
está enredado.


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     (24/outubro/20)

Durante muito tempo eu me perguntei com frequência: "Por quê este momento não é sagrado, abençoado? Por quê não me sinto pleno, feliz?"
Na época eu ainda fumava, então imaginava que, na presença do desejo de fumar, eu não podia mesmo ser feliz, porquanto este me atormentava. Então eu parei de fumar, mas a bem-aventurança não veio; e eu pensei comigo:
"Deve ser porque eu estou separado da minha namorada, a quem desejo" — e pensei, ilusoriamente, que era o desejo insatisfeito que criava a incompletude e, com esta, o tormento interior.

Mas eu bem me lembrava que, mesmo quando estava com ela, também não havia o tão desejado sentimento de paz. Havia, é certo, momentos de prazer, de ternura, nos quais a ansiedade e a incompletude se acalmavam e silenciavam por instantes. Mas depois surgia o tédio e o desejo de novas sensações de felicidade — quando não desentendimentos e conflitos...

Lentamente, percebi que a satisfação dos desejos não era o que eu buscava, embora me livrasse — temporariamente — das perturbações físicas e emocionais que eles causavam.

Demorei muito tempo para entender qual a razão de nunca encontrar a bem-aventurança, a Paz que eu tanto desejava e queria, mais do que qualquer outra coisa. Hoje sei que é por causa do sentimento profundamente arraigado de ser um eu separado, uma espécie de unidade de consciência própria, autônoma e diferenciada — porém incompleta — e autoprogramada para procurar completude e paz por meio das experiências no mundo.

Nada mais distante da verdade; esse sentimento profundo jamais veio como efeito de nenhuma experiência, obrigando-me a contentar-me com migalhas de felicidade. Estas, se me deixavam sempre com fome da verdadeira Bem-Aventurança, me pareciam melhores do que nada, e eram apenas suficientes para me manter como zeloso cumpridor do terrível ciclo da insatisfação, procura e frustração.

Sim, frustração, pois toda alegria provinda das experiências materiais é efêmera, e seu desaparecimento é sentido como mais incompletude. E dessa frustração vinha a energia para reiniciar o ciclo da procura da Felicidade através de experiências prazerosas — ainda que devesse enfrentar trabalhos, fazer concessões, contornar percalços e provar o gosto de decepções na busca de satisfazê-las.

Amigos, repeti esse ciclo inúmeras vezes... mui lentamente, fui percebendo que, desde o início, o sentimento de incompletude já estava presente em meu peito, como meu ponto de partida; ele não era causado pelo desejo de felicidade no mundo, ao contrário, era ele que gerava a ilusória concepção de que eu haveria de ser feliz mediante as escolhas certas, os conseguimentos adequados e experimentos prazerosos no mundo das formas transitórias, condições mutáveis, impermanência e finitude de todas as coisas.

E de onde vinha essa incompletude, insuficiência? Do sentimento de separação! Pois parecia-me nitidamente, desde sempre, ser uma unidade de consciência própria, diferente e separada da Consciência Divina. É isso o que causa o sentimento de profunda incompletude, levando-nos a procurar nossa natureza essencial como a felicidade possível através dos objetos transitórios e enganosos da experiência mundana.

Voltando à pergunta do início: "Por quê este momento não é sagrado, abençoado?"

O presente momento não tem substância em si mesmo, e depende de como é experienciado. Geralmente ele é visto pela ótica do vir a ser, em que a alma individual se separa de sua Fonte e imagina uma Felicidade no mundo externo a si (enquanto fagulha da Consciência Primordial) e trilha o caminho da satisfação dos desejos — com suas incertezas, dificuldades e escassas recompensas — como meio de realizar-se plenamente no decurso do tempo, o que não apenas é impossível como leva à escravidão denominada, na sabedoria budista, "Ciclo dos Prazeres e Dores".

Portanto, a percepção da bem-aventurança deste momento depende dessa compreensão fundamental que a alma-consciência pode ter de si mesma, como fagulha da Consciência Divina. Tendo isso, ou melhor, sendo isso, nada mais é necessário. Já é a própria Bem-Aventurança, a Felicidade incorruptível.

É isso que significa "Eu e o Pai somos um", A CANÇÃO DE JESUS, A MAIS MELODIOSA CANÇÃO da humanidade, onde a alma individual se vê como emanação do Princípio Primordial e, integrada à sua Fonte, transcende a identificação com as consciências do corpo físico, emocional e mental, que constituem a identidade de ego — que deve ser abandonada para vivermos, em comunhão com nossa Natureza Original, a experiência do existir no mundo transitório, finito e enganoso, sem por ele nos deixarmos aprisionar.
É isso que significa "viver no mundo sem ser do mundo".

Peregrinos do êxtase
Poema de Paulo Bomfim
     (28/setembro/20)


Há pessoas que conhecemos, e outras que reconhecemos.
Nossa vida é permeada de encontros e desencontros.

Às vezes, num estranho nos divisamos,
outras, estranhamos criaturas de nossa intimidade...

Há amigos cometas, que, em suas órbitas, surgem de vez em quando,
e há aqueles que são óperas que ouvimos,
atos monótonos à espera de uma ária que apreciamos...

Viajando, sentimos que certos lugares são familiares,
é como se, em vidas passadas, fossem habitados por nós.

No meio da multidão, somos ilhas à procura de nosso Arquipélago.

Como é estranha essa lucidez na demanda de um sonho!
E quando Aquele que nos sonha desperta, morremos.

Ah, esta sensação de nos sentirmos sonhados,
ou figurantes de um filme cósmico!

Certas músicas são habitadas pela emoção,
dos que com elas se identificaram;
e alguns poemas nos falam de vozes
que teimam em não silenciar...

Podemos também ser palavras na linguagem dos deuses,
e quando cessam de nos pronunciar,
partimos... ou simplesmente chegamos.

No porto, alguém nos espera, ou acena uma despedida.
E assim vamos caminhando...
Peregrinos do êxtase,
sofrendo da nostalgia do êxtase maior que nos criou.

O AMOR E A MENTE QUE ESTÁ CONSIGO MESMA
Swami Dayananda      (12/Agosto/20)

Leia esse texto (clique aqui), onde Swami Dayananda fala sobre o amor
e como precisamos estar preparados para poder realmente amar.
Tudo é Consciência. As coisas não existem.
Trecho do livro Silence of the Heart - Dialogues with Robert Adams
     (09/Julho/20)


Não há consciência e o mundo. Existe apenas Consciência, e você é Aquilo.
Um paradoxo Uma contradição. Você é o paradoxo. Você é a contradição.

Você não é o que parece ser. Você não é o que vê. Nada neste mundo, neste universo, é o que parece ser.

Agora, o que é Consciência? Podemos dizer que a consciência é um poder que se conhece. é a Realidade Absoluta independente. Em outras palavras, não há nada além de Consciência.

Não há Consciência e você, ou Consciência e o mundo. Existe apenas consciência. A consciência, você pode dizer, é a tela da realidade e todas as imagens de todo o universo são sobreposições na tela da realidade. Quando você vai ao cinema e começa a assistir ao programa de fotos, a tela é coberta por imagens. Você esquece tudo sobre a tela. Você não pensa mais na tela. Você está olhando as imagens. Você se identifica com as imagens. Você está gostando do filme. A tela está longe de você. No entanto, se você tentar capturar as imagens, o que você captura? Você pega a tela, não as imagens. As imagens nunca existiram, você vai pegar a tela.

E assim é conosco. Esquecemos que somos sobreposições na tela da vida. E nós somos realmente a tela, que é Consciência. Acreditamos através de muitas encarnações que somos a imagem, somos uma pessoa e existem outras, e há coisas externas com as quais lidar neste mundo. Mas eu lhe digo que estas coisas são falsas. As imagens são como água na miragem. Como a cobra na corda. Como o céu é azul. No entanto, não há céu nem azul. E quando você descobrir que a cobra era realmente uma corda, nunca mais o assustaria. Quando você tenta perseguir a água na miragem, fica decepcionado, pega areia. Em outras palavras, são ilusões de ótica. Este universo, meus amigos, é uma ilusão de ótica.

É um sonho, como quando você está sonhando. Ninguém pode lhe dizer que o sonho é um sonho enquanto você estiver sonhando. Você sempre defenderá seus direitos e dirá que isso não é um sonho. Olha, há tumultos em Los Angeles, incêndios estão queimando, pessoas estão sendo mortas. Como você pode me dizer que isso é um sonho? No entanto, você acorda do seu sonho, e o sonho nunca existiu. Saiu de você e voltou para você. Pondere sobre isso. O sonho emanou de você, exteriorizou-se de você. O sonho não era nada limitado, era? Você não sonhou que estava apenas em um espaço. Você sonhou com todo o universo, todos os tipos de coisas acontecendo. Você fez viagens de avião para a áfrica, você foi para o Congo Belga.

Você era um garotinho e cresceu, uma garotinha e você cresceu. Tudo isso está no seu sonho. E novamente você lutará pelo seu sonho. Você defenderá seus direitos no sonho. Você até matará no sonho. No entanto, quando você acorda, o sonho se foi. O sonho nunca existiu. Posso garantir, meus amigos, que haverá um dia em sua vida em que você despertará para a verdade. Este mundo em que vivemos é a mesma coisa. Não há absolutamente nenhuma diferença. Você está vivendo o sonho mortal. Conseqüentemente, grandes sábios nos disseram que precisamos nos identificar com a Consciência, com a Realidade Absoluta, não com o que está acontecendo. A única liberdade que temos é não reagir a nada, mas nos voltar e conhecer a verdade. Mas como pode ser isso? Nós olhamos um para o outro. Nós vemos as coisas deste mundo. Nós sentimos a dor. Sentimos tristeza. Nós sentimos felicidade. Sentimos alegria. E, no entanto, estou lhe dizendo que essas coisas não existem. Existe apenas consciência. Você só pode saber disso quando experimentar. Então você está dizendo, isso é bom para você, Robert, mas e eu? Eu sinto o mundo. Eu me machuco facilmente. Eu sou sensivel. As coisas me incomodam. Vejo a desumanidade do homem no mundo e choro. Eu percebo todas essas coisas horríveis acontecendo no mundo, elas me deixam triste. Como você pode dizer que essas coisas não existem? Como você pode dizer que existe apenas Consciência, quando todas essas coisas me enfrentam todos os dias?

É isso mesmo. Você tem que estar pronto para se afastar das coisas mundanas. Você tem que estar preparado para pular dentro de si mesmo. Mergulhar profundamente dentro de si. E ignorar o mundo por um tempo. Isso não significa que você precise desistir de nada. Isso significa que, enquanto você realiza suas tarefas diárias, enquanto faz seu trabalho neste mundo, você simplesmente precisa se conscientizar de vez em quando que tudo é Consciência. Apenas por estar ciente dessas coisas de que estou falando, você acorda. Você se torna livre. Apenas por estar ciente. Ao pensar em si mesmo quando você se levanta de manhã, "Tudo pode parecer real para mim, mas tudo é Consciência. Tudo é Consciência. Consciência é espaço, pura consciência sem escolha. "

Novamente, o que é Consciência? A Consciência podemos dizer é o substrato de toda a existência. Na escala da evolução, se você pegar um objeto e dissolvê-lo em suas partículas mais mínimas, obterá moléculas. Isso é verdade para qualquer objeto nesta terra, seja um ser humano, uma cadeira, uma árvore, um gato, tudo retornará às moléculas. Você dissolve as moléculas e obtém átomos. Quando falo de átomos, você não pode imaginar como são pequenos. Sete milhões de átomos podem caber na cabeça de um alfinete. é incrível quando você pensa em átomos. Sabemos que eles existem porque podemos olhá-los através de um microscópio eletrônico.

Agora, quando você dissolve o átomo, obtém partículas subatômicas que são ainda menores que os átomos. E não podemos nem discutir essas coisas ou falar sobre elas, porque são simplesmente incríveis. O universo inteiro é feito dessas coisas. Você vai além, dissolve as partículas subatômicas e obtém ondas de energia. Os cientistas nos dizem que todo o universo é composto por milhões de ondas de energia. Não podemos vê-los, mas grandes sábios em meditação chegaram a esse estágio. E aqui está a parte importante. Você dissolve as ondas de energia e não obtém nada, o vazio, sobre o qual os budistas falam. Não-mente, Nirvikalpa Samadhi, é o mesmo que o vazio. Nós vamos além do vazio, e temos Consciência. Como você pode provar isso cientificamente? Se você tivesse um microscópio eletrônico gigante e colocasse seu corpo sob o microscópio, veria átomos separados por uma vasta quantidade de espaço. E se você obtiver um microscópio ultra eletrônico que ainda não foi inventado, verá seu corpo como um espaço puro. Não haveria átomos, pois o microscópio ultra-eletrônico veria através do átomo e você veria espaço, espaço total. Esse espaço é a consciência. Isso não é verdade apenas para o seu corpo - é verdade para a cadeira, o prédio, uma árvore, uma flor, um animal. Tudo é espaço.

É por isso que digo tantas vezes que somos todos nothing, nada. Todos nós somos nada, nenhuma coisa, no thing. Então somos no-thing, nada. Não somos no-thing concebível. Não somos algo que você possa imaginar. Sua imaginação só se reduz a átomos. Você sabe sobre moléculas. Você desce aos átomos, energia pura, mas vai além disso. Vá além da energia pura. Não há nada absoluto. Que nada é você. Que nada é Consciência.

Houve uma vez uma aula sendo conduzida assim. E um aluno em particular disse: "Mestre, eu não sei do que você está falando. Como tudo pode ser Consciência? Como tudo pode vir do nada? Isso não faz sentido".

E o Mestre apontou para uma figueira e disse ao aluno: "Vai me trazer uma figueira". O aluno foi e puxou um figo da árvore e levou-o ao Mestre. O Mestre disse: "Abra o figo". Ele fez. "O que você vê?" "Sementes". "Traga-me uma daquelas sementes." Ele obedeceu. Ele lhe deu uma lâmina de barbear e disse: "Abra a semente". Foi um trabalho bastante difícil, porque a semente era muito pequena. E ele cortou o dedo algumas vezes, sangue por todo o lado. Ele finalmente conseguiu abrir a semente. E o Mestre disse: "O que você vê agora?" "Nada. Na semente há um vazio, vazio absoluto." E o Mestre disse: "Deste nada, o universo inteiro é produzido." E isso é verdade para tudo nesta terra, neste mundo e neste universo. Tudo é nada. Não existe absolutamente nada que exista. Lembre-se de que estou dizendo que as coisas não provêm da Consciência. Estou dizendo que tudo é Consciência. As coisas não existem.

Os seres humanos parecem ser feitos para ver, ouvir, cheirar, tocar e sentir. Portanto, eles pensam que estão vivendo em um mundo material. Em um mundo relativo. No entanto, a verdade última é que tudo é uma ilusão de ótica. Como a cobra na corda. Como o céu é azul. Como a água na miragem. Essas coisas não existem. Você, como parece, não existe.

Só de pensar nisso, você estará livre. Você realmente não precisa fazer mais nada, a não ser considerar isso. Para refletir sobre isso. Tente perceber que tudo é realmente espaço. Tudo é Consciência. Para pensar sobre isso e descansar, algo começa a acontecer com sua mente. Você começa a perder a cabeça. (riso)

Então você vê o que é Consciência na escala da evolução. A consciência é o substrato de tudo, de toda a existência. E sua verdadeira natureza é a consciência. Isto é o que você realmente é. Mas você vê o que precisa fazer para chegar lá? Você tem que ir além desses níveis. Você tem que se tornar uma molécula, um átomo, um subátomo, uma onda de energia e depois retorna ao seu Eu real, Realidade Absoluta, Consciência Pura, a tela da vida.

Agora, por que você quer fazer isso? Por que você não diz, me deixe em paz e me deixe tomar uma bebida? Quem quer voltar aos átomos e subátomos e tornar-se Consciência? Bem, é por isso que o ensino espiritual mais alto não é para todos. A maioria das pessoas está satisfeita com a vida como ela é. Mas eles vão morrer. Eles vão passar por experiências. Enquanto você vive neste mundo ou em qualquer outro mundo, você segue a lei de causa e efeito, que é como um pêndulo. Ele oscila para um lado, o que significa que as coisas estão melhorando para você, você está indo bem, tudo é ótimo no mundo físico. Então o pêndulo gira para o outro lado e as coisas começam a se reverter. Seu mundo começa a desmoronar. Você pode ficar doente, desenvolver câncer, AIDS. Você pode perder tudo no mercado de ações. Sua família pode ser exterminada em um acidente, você pode ficar aleijado e, se não tiver nada a que se apegar, o que faz? Você amaldiçoa a vida, se suicida. Então o pêndulo gira para a direita novamente e as coisas ficam cada vez melhores. Você se torna como um ioiô. Você sobe e desce, sobe e desce, sobe e desce. Este é o caminho do mundo.

Este é o caminho do universo. Vivemos em um mundo de dualidade. Portanto, este é o motivo para se tornar livre. Pois, se você passa a vida do jeito que está agora, e não trabalhou em si mesmo para transcender o bem e o mal, para cima e para baixo, certo e errado, para frente e para trás, continua aparecendo repetidamente nessas várias planetas em todo o universo, assumindo vários corpos e passando por várias experiências. Nunca acaba. Você pode deixar seu corpo amanhã e voltar quando o planeta estiver novamente na idade das trevas e eles estiverem tendo outra Inquisição Espanhola. E você se torna prisioneiro e é torturado. Seus dedos são cortados um por um. Você é reduzido a nada. Então você volta novamente em outra vida, você se torna o vice-presidente dos Estados Unidos. Você se torna Dan Quayle. Este é o caminho do mundo. Esta é a vida. Isso nunca vai mudar. Muitas pessoas têm boas intenções. Eles querem fazer deste um mundo melhor para se viver. Por um mundo melhor, eles querem dizer que querem fazer o mundo seguir o seu caminho, o que eles acham que é melhor, o que eles acham que é certo. Todas essas coisas mostram que você está identificado com imagens. Pense na energia colocada neste mundo. Os projetos que você faz. O trabalho em que você está envolvido. As coisas em que acredita. A energia que você gasta. Todos os clubes aos quais você pertence, as sociedades às quais pertence. Essas são as coisas que o levam de volta à terra. Eles puxam você de volta aos corpos, um após o outro.

Consciência não é uma coisa. Você não pode descrevê-la. Não é o oposto do mundo e não é um objeto, e não há vidente para vê-la. Consciência é outra palavra para Ser. Ser o que? Ser nada. Agora vamos além do reino da criação, onde ela se torna inefável e indescritível. é por isso que só podemos explicar a você o que a Consciência não é. Consciência não é o mundo. A consciência é independente, a Realidade Absoluta. é você mesmo, quando você não se identifica com o mundo. E isso só acontece com as pessoas comuns no momento em que estão adormecendo e no momento em que acordam. Naquele momento você é Consciência. Mas o sentimento deixa você quase imediatamente. Você começa a se identificar com o mundo. Você esquece a realidade.

O método a lembrar é se pegar durante o dia todo. "Quem acredita nisso? Para quem isso vem? Quem sente isso?" repetidamente. Quando você diz: "Quem sou eu?" para algumas pessoas, é melhor dizer: "Quem é o eu?". É a mesma coisa. O que você realmente está fazendo é encontrar a fonte do "eu". Você está procurando a fonte do "eu", o "eu" pessoal. "Quem sou eu?" Você está sempre falando sobre o "eu" pessoal. "Quem é esse eu? De onde veio? Quem o deu à luz?" Nunca responda a essas perguntas. Faça essas perguntas, mas nunca as responda. Mantenha-as. Não desista.

É bom para mim sentar aqui e dizer que o mundo não existe, nada existe. Mas quando você sai por esta porta, o mundo bate na sua cara. Alguns de vocês ficam deprimidos porque precisam ir para casa sozinhos, talvez. Você gostaria de ter um relacionamento. Alguns de vocês se sentem deprimidos porque têm um relacionamento e desejam estar sozinhos. Ninguém é feliz. Todo mundo pensa que algo está errado com sua vida. Alguns de vocês estão deprimidos porque não conseguem se iluminar. Pense no que você está fazendo. Pense no que você está sentindo. Então começamos um programa. E, por experiência própria, descobri que a auto-indagação é a maneira mais rápida de despertar, para algumas pessoas.

Portanto, você se envolve apaixonadamente no Self-inquiry (Auto-investigação). Como eu disse antes, é verdade que ouvir essas palavras e perceber que tudo é Consciência pode despertá-lo. Mas isso é apenas se você estiver preparado.

Por preparado, quero dizer que você já transcendeu todas as coisas sobre as quais estávamos falando. Todas as emoções e todos os medos. Todas as dores e todas as frustrações. Se você já transcendeu essas coisas, é tudo o que precisa fazer. Tudo o que você precisa fazer é ouvir a palavra e acordar. Mas para a maioria das pessoas, não funciona dessa maneira. Portanto, você tem que praticar alguma forma de sadhana (prática espiritual).

O MACACO DA MENTE
De "A doutrina Zen da Não-mente", de D. T. Suzuki, pág. 73
     (06/Junho/20)


Certa vez, Yang-shan perguntou a Chung-I Hung-en, discípulo de Ma-tsu:

— Como se pode ver dentro de sua natureza-própria?

Chung-I disse:
— Imagine uma jaula com seis janelas e dentro dela um macaco. Quando alguém chama pela janela do leste: Macaco, ó macaco!, ele responde. O mesma se obtém nas outras janelas.

Yang-shan agradeceu a explicação e disse:
— Seu instrutivo exemplo é perfeitamente compreensível, mas há algo que desejo esclarecer.
Se o macaco estiver dormindo lá dentro, exausto, que é que acontece quando alguém do lado de fora chega para entrevistá-lo?

Chung-I desceu de sua cadeira de palha e, tomando o braço de Yang-shan, começou a dançar, dizendo: — Ó macaco, ó macaco, minha entrevista com você acabou.
É como um animalzinho aninhado entre as sombrancelhas de um mosquito; ele sai para uma encruzilhada e grita: "A terra é vasta, são poucas as pessoas e raramente se encontra um amigo!"



How Rupert Spira Moved Towards Enlightenment
A Spiritual Awakening Process
     (20/Maio/20)


Q.: You were asking to yourself "Who am I". Where did it take you in terms of investigation?

Spira: To begin with, I had a presumption that what I am is this individual entity, and if this individual entity practices for long enough, study hard enough, this individual entity will gradually dissolve itself, and of course that's is not the case! The individual entity can't dissolve itself!

So, I reached a stage of complete frustration. The separate entity trying to get rid of the separate entity through all means and it didn't work. So, a point came when I really stopped trying to get rid of this separate entity.

Stop seeing it was the problem, and I just turned around and asked myself: "What is this entity that is unhappy, that is searching, that is trying to quiet the mind, that thinks the mind is a problem? I started to look for it. And that was a very decisive turning point, when I started to look for the entity which was initiating all these so-called "spiritual activities".

And this, in a way, we could call it "the journey home"; it's the moment the prodigal son turns around; he gets the end of the possibilities of the body-mind and the world, and he turns around and faces himself.

So it was a moment when I turned around and said: "OK, no more practices for a while; I'm going to stop these practices. They are like bandages"; they are not going to the heart of the problem. What is this one, who is this one that is unhappy? And, as I began to look for this one I never found it.


Q.: So, you have the feeling of being unhappy, and you looked inside and what you're saying is that you couldn't find the person or the part of you that was unhappy. Is that right?

Spira: My life, and, in this case, my spiritual life, was motivate by a desire... the entity that I believed myself to be — "I" inside this self, wants to find happyness or enlightenment. "I" want to find; "I" want to be happy; "I" want to be enlightened. And this I had explored it normally in the world as one does, then I had to explore it spiritually, which is a kind of refinement, we could say, of the worldly search, but nevertheless it's still a search more in the realm of the mind, in my case stilling the mind, states of the mind.

I had tried all this things, had got some temporary relief, but no real satisfaction. So, at some stage, I turne around: "Who is this one? Who is this I that wants to be happy, or enlightened, or peaceful or whatever?". "OK, If you are rulling my life, show up! What are you? Where are you? I want to know you. I want to get acquainted with you". And then I started looking, but I never found the one!


Q.: How did you turn it around? What was your process of turning it around?

Spira: It became clear to me that up until then I had presumed that it is that "I, this body-mind, I, this entity, that knows the world, but it became clear quite quickly to me that no, it's not "I- this-body-mind", that knows the world; it's I, whatever exactly I am, that knows the body-mind and the world!

In other words: the mind and the body are known; I know my thoughts; I know the body; the body doesn't know, I mean: the cheek (bochecha) is not listening to these words, an earlobe is not listening to these words, a thought cannot hear, a thought cannot see!

It became clear in my experience that "no, it's not a body-mind that knows or experiences; the body-mind is experienced, it is known. But I know that it is known by me! What is this me that I know I am, that is present, that is intimately myself, and that knows thoughts but is not made of thougths, that knows sensation but is not made of sensation?

And, of course, wherever you look, wherever you try to turn towards it, it's always the wrong direction. It's like if I were ask you now to stand up and take a step towards yourself, whereve would you go?

Every step that you take would be the wrong direction, and yet you could never get away from yourself! It was like that. I tried to look for myself: "no, I can't find myself in thoughts, I can't find myself in sensations, images, feelings, thoughts".


Q.: So, you looked for yourself in thoughts, sensations, feelings...

Spira: ... I said to myself: "OK, turn your attention now toward your thoughts". And I would make these little exercises up with myself: "Give your attention to your thoughts - whatever it was I was thinking about, simple, easy - what should we have for dinner tonight? You give your attention to that thought. Very easy.

Then I would take myself: now, give your attention to your body; the tingling sensation at the source of my feet. Easy, I know exactly where to place my attention.

And then I would ask myself: Now, turn your attention to whatever it is that is aware of these thoughts, or sensations. Because whatever it is that is aware of these thoughts, or sensations, is what I call myself. It is "I" that knows the thoughts, that knows the sensations. And so I would say: OK, give to that one your attention, turn towards that one.

And, to begin with, because are accostumated to foccusing on objects: on thoughts, on sensations, on perceptions - I would to begin to look for myself for yet another object, a kind of super-object, a subtle object. And I found whatever I landed my attention on, it was again some subtle, maybe a very subtle feeling in the body.

Then, I would ask myself: "no, don't give that feeling your attention, give the one who knows that feeling! Who is aware of it? Give that one your attention!

To begin with, I would go out again towards an object and then it would collapse back the impulse to go out again, to find myself as some kind of a thing, some kind of an object.

The impulse would rise up and the futility of it, the impossibility of it, would just automatically collapse the effort.

And I just found it was so ridiculous to look for myself as some kind of an object, because I already was... myself is too close of myself to be found or known as some kind of an object! So it was a collapse of this looking for myself as an object, and it was replaced with a sense of "I am myself already.

I can never know it as an object, but that doesn't mean that I can't know it intimately in my experience, not in a subject-object relationship, but it knows itself. It became so clear that the way to know myself was simply to be myself. That is awareness's way of knowing itself: by being itself - and it is always itself.

It became so obvious that I had mistaken myself for a thought, or sensation, or a cluster of sensations or a image. And it became obvious to begin with in kind of momentary glimpses, but overtime these glimpses stabilized. It just became more and more obvious that I was already intimately acquainted with what I was looking for.
A VISÃO MAIS MARAVILHOSA
  José Carlos de Melo Cavalcanti - de San Diego, EUA, 14/fev/20)


No meio da noite, vindo de um sono profundo, de repente sentei-me na cama. Eu me senti acordado e parecia que meus olhos estavam bem abertos. À minha frente, ao pé da cama e flutuando no ar, havia uma grande cruz em tamanho real, um crucifixo pendurado no ar e um corpo pendurado na cruz.

Observei essa cena em condições de pouca luz: o homem na cruz estava claramente sem vida, sua pele era cinza e ele estava imóvel, com a cabeça inclinada para a direita, morto.

Pisquei de espanto, pensando: "o que será que estou vendo, o que isso significa?"

Subitamente, uma presença luminosa ocupou o exato lugar onde o cadáver estava pendurado e, de imediato, a cabeça antes inclinada para a direita, se levantou e olhou para mim!

Naquele momento, várias coisas aconteceram simultaneamente, mas, ao mesmo tempo, sequencialmente e em etapas, como se eu estivesse de algum modo fora da linha do tempo.

A primeira consciência foi como este homem estava iluminado, ele brilhava maravilhosamente, sua pele tinha uma luz dourada que brilhava por dentro e iluminava o espaço ao seu redor, era glorioso, colorido e cheio de vida!

Sua presença gritava vida de maneira mais vívida do que qualquer outra coisa que jamais vi. Nada neste atual mundo visível pode se comparar com o quão vivo ele parecia.

Em seguida, percebi suas feições, seu espesso cabelo castanho encaracolado, com uma única mecha sobre a testa. Havia suor em sua testa, como se ele tivesse trabalhado seriamente por algo, por alguém.

Seu cabelo era comprido, logo acima dos ombros talvez, e em volta da cabeça estava amassado como se uma coroa ou capacete tivesse acabado de ser removido. Ele também tinha uma barba escura, não uma barba cheia. Mais como uma barba esparsa de jovem. Sua pele era bronzeada e sua testa era larga, assim como o nariz e o rosto. Era o rosto de homem, forte, o rosto de alguém que parecia trabalhador e acostumado a estar no campo. Não era de forma alguma um rosto bonito, estreito, simétrico e delicado.

Lembro-me de ter pensado: "isso não se parece em nada com os quadros".

Essa consciência visual parecia acontecer instantaneamente e era um tipo de reconhecimento. Mas a essência da experiência vinha de estar na presença dele.

Assim que olhei para ele, senti como se todas as células do meu corpo parassem de se mover e começassem a girar e vibrar diante de sua presença.

Todo o meu ser entrou em alinhamento com ele e naquele lugar havia a mais completa e perfeita paz, absoluta plenitude, nada faltando de maneira alguma.

Não respirei, nem me lembrei de fazê-lo, não tinha perguntas, não tinha vontade de fazer nenhuma pergunta. Tudo que eu queria fazer era permanecer, exatamente como estava, para sempre.

A paz que excede todo entendimento é uma maneira precisa de descrevê-lo.

A percepção seguinte foi seu amor. Amor Perfeito.

Num piscar de olhos, tive a distinta percepção de que ele estava realmente fora do tempo e podia, em um único instante, ver toda a minha existência. Todo o meu passado, meu presente e todo o meu futuro. E, no fundo do meu ser, senti seu imenso amor por mim.

Uma frase veio a mim depois, descrevendo o que eu sentia, que "eu era amado completamente, absolutamente e sem reserva".

Foi chocante para mim sentir o amor maravilhoso e incrível que ele tinha por mim.

Senti vontade de balançar a cabeça em negação, em um pedido de justiça: eu não merecia ser amado tanto, simplesmente não o merecia!

Mas esse é o milagre de seu amor. Ele nos ama assim por causa do que ele fez. Não por causa do que nós fizemos. Nós nunca poderíamos merecer esse amor. É a sua dádiva, para nos presentear. Sua graça perfeita.

Quando olhei para ele, me foi dado perceber duas qualidades que emanavam de seu rosto: perfeita Bondade e perfeita Alegria.

Imagine o rosto da avó mais gentil que você já viu e multiplique por mil. Era um rosto tão gentil que você instantaneamente queria permanecer na presença dele. Era um desejo quase irresistível de simplesmente estar próximo dele.

Era uma gentileza palpável que você podia sentir no mais profundo. Isso me deixou com um impulso protetor em relação a ele, como se eu fosse querer protege-lo caso alguém tentasse fazer mal a uma pessoa tão gentil.

Em seguida veio a alegria. Ele tinha um rio de alegria borbulhando das profundezas dele, de uma maneira que parecia que ele estava prestes a começar a rir maravilhosamente. E isso me fez querer ficar ao lado dele para que eu estivesse lá quando ele o fizesse. Eu também queria muito saber a fonte dessa alegria, que era contagiosa e instantaneamente faz você deseja-la.

Então eu o vi sentado em um pequeno muro de pedra, sob uma árvore frondosa, no meio do dia, conversando com um semicírculo de pessoas ao seu redor. As pessoas que passavam, mesmo a 25 metros de distância, podiam sentir sua bondade e alegria e eram atraídas por ele.

Lembro-me de pensar o que uma pessoa passando sentiu, "Quem é esse homem? Eu tenho que ir ouvir o que ele está dizendo".

No momento seguinte eu estava olhando nos olhos dele. Eles eram chamas prateadas. Eu podia ver claramente as chamas se movendo suavemente dentro de seus olhos. Fiquei espantado por poder olhá-lo nos olhos. Percebi que a plenitude do resplendor da Glória de Deus estava nele, mas que filtrada através de seu corpo, tornava-se puro amor e eu podia vê-lo sem nenhum medo, sem ser instantaneamente consumido pela intensidade da Glória do Deus Eterno.

A última consciência foi bastante pessoal. Quando ele olhou para mim, pelo canto esquerdo da boca estava fazendo um meio sorriso. Era exatamente o tipo de sorriso que dou à minha pequena filhinha, quando ela está fazendo algo fingindo estar envolvido em uma atividade adulta, como pegar uma mochila e entrar na outra sala para ir trabalhar ou algo assim.

E como pai dela, eu só quero sorrir, rir e abraçá-la, mas me contenho porque não quero interromper a seriedade da dedicação com que ela está engajada no seu mundo.

É tão agradável observa-la, porque eu posso ver quem ela será um dia, de uma maneira que atualmente ela mesma não pode ver. Essa é a maneira exata que ele estava sorrindo para mim. De alguma forma, a experiência terminou. Não me lembro de adormecer nem acordar no dia seguinte.

Durante semanas pude recordar vividamente o rosto dele, porém ao mesmo tempo me parecia algo precioso demais para algum dia compartilhar a respeito. Agora, muitos meses se passaram, eu compartilhei essa experiência apenas duas vezes.

Eu acho que é hora de escreve-la.
Maranata.

Alguém faltou ao encontro      (19/Agosto/19)
Poema de José Carlos Corrêa Cavalcanti - abril de 1977.

Andando nos descaminhos
de inúteis madrugadas...
me perdi e estou sozinho,
Vi que não descobri nada.

Pelas vias e desvios
Procurei por um jardim
Mas desertos e estios
Foi o que ficou prá mim.

Estive, mas já não estou.
Parece que já fui embora.
Aquilo que procurei
Não veio na exata hora.

Que era? Nem eu o sabia.
Assim, não o podia achar.
Se achei, nem percebi.
Não quero mais procurar.

Pelas estradas da vida
quase tudo aconteceu
Alguém faltou ao encontro
Quando o encontro se deu
— E esse alguém era eu.


Tive a precisa coragem,
De outra coisa não me lembro.
Fiquei à beira da margem
À espera de um setembro:
                    De cor, flor e primavera
                Som, amor e poesia
                        Surgida depois da espera.

Imagine um raio de sol que, juntamente com incontáveis trilhões de outros, semelhantes a ele, ilumina a face da Terra, chamando o mundo às suas atividades cotidianas.

Esse raio de luz percebeu que, aparentemente por "sua" ação, desabrochavam lindas flores, pelas quais ele se apaixona perdidamente.

"São tão coloridas e belas, perfumadas e sedutoras!"

Ele não percebia que "ele" não existia como coisa separada de Algo infinitamente maior, do qual ele era uma emanação; ao contrário! Achava-se a própria energia que fazia as coisas acontecerem no planeta Terra. Até que um dia, depois de testemunhar inúmeras vezes a morte de suas amadas, seguida pelo florir de tantas outras, perguntou-se:

"Não irei eu também fenecer um dia? Afinal quem sou eu? qual é minha Origem? Hei de encontrá-la."

E pôs-se a procurar por sua origem no mundo manifesto.

"Talvez esteja naquela pedra Sagrada no topo da mais alta montanha, conforme dizem os homens", pensou. Para lá se dirigiu, mas não viu nada demais. Outras pistas que veio a seguir revelaram-se, também, inúteis.

Dizem que esse Raio de Sol continua procurando até hoje.

Ele não via o Sagrado dentro dele mesmo e como Ele Mesmo; mas não o "ele mesmo" que, desconhecendo sua origem, identificava-se com os elementos da manifestação, que tanto amara.

É por isso que o poema diz:

"Alguém faltou ao encontro
Quando o encontro se deu
E esse alguém era eu."
LENDA HINDU      (22/Julho/19)


Houve um tempo em que todos os homens eram deuses. Mas eles abusaram tanto de sua divindade que Brahma, o Mestre dos Deuses, tomou a decisão de lhes retirar o poder divino: resolveu escondê-lo em um lugar onde seria absolutamente impossível reencontrá-lo.

Mas o grande problema era encontrar um esconderijo. Brahma convocou, então, um conselho dos deuses menores para resolver o problema.

— "Enterremos a divindade do homem na terra" foi a primeira ideia dos deuses.

– "Não, isso não basta, pois o homem vai cavar e encontrá-la", respondeu Brahma.

Então os deuses retrucaram:

– "Então, joguemos a divindade no fundo dos oceanos".

Mas Brahma não aceitou a proposta, pois achou que o homem, um dia iria explorar as profundezas dos mares e recuperaria.

Então os deuses menores concluíram:

– "Não sabemos onde escondê-la, pois não existe na terra ou no mar lugar que o homem não possa alcançar um dia".

Então Brahma, sem saber mais o que fazer, recorreu à sabedoria do Grande Deus Mahadeva, o Senhor Shiva.

– "Eis o que vamos fazer com a divindade do homem", falou Mahadeva:
"Vamos escondê-la nas profundezas dele mesmo, pois é o único lugar onde ele jamais pensará em procurá-la. O único caminho que o tornará capaz de reencontrar este poder, será através de Jñana (Conhecimento). Mas não será tão fácil, ele terá que driblar o poder de Maya (Ilusão) e de Anava (Egoísmo), e, para isso, terá que reaprender a controlar a mente e os sentidos, observando a Lei Divina do Karma (Causa e Efeito).


Então Brahma ordenou que fossem criados os primeiros ashrams e as primeiras escolas de yoga e meditação.

Mas mesmo assim, conclui a lenda, o homem continua dando voltas na terra, voando, explorando, escalando, mergulhando e cavando, em busca de algo que se encontra dentro dele mesmo.
Tattva Bodha - Conhecimento da Verdade      (07/julho/19)

Texto de Shankara
(Shankara (788 – 820) foi um monge errante e mestre espiritual indiano.
Foi o principal formulador da doutrina do Advaita Vedanta, ou Vedanta não-dualista)


O que se entende por discriminação entre o impermanente e o permanente? é a convicção de que apenas o Ser é permanente e que tudo o que é experienciado é impermanente.

Repetindo: tudo o que é experienciado é impermanente.

Pessoas atraídas pela autoinvestigação frequentemente já tiveram experiências que as convenceram de que existe um algo "espiritual" além daquilo que elas percebem com os sentidos, com as emoções e com a mente. Mas elas estão sempre em dúvida quanto ao que isso seja.

O método fundamental para a realização do Ser é a discriminação entre o que é permanente — o Ser — e o que não é (a mente e o mundo).

Ainda que essa seja uma realidade não-dualista e tudo que muda seja também o Ser, esse fato é desconhecido para o iniciante. Mesmo que ele fosse conhecido intelectualmente, ele ou ela teria que passar pelo longo e por vezes difícil processo introspectivo de separar o "Eu" - o Ser - de todas as suas formas mutantes.

Baixe esse texto de Shankara!        Tattva Bodha - Conhecimento da Verdade
Transformar adubo em flores      (02/Maio/19)

Leia esse texto (clique aqui), onde Thich Nhat Hanh fala sobre a transformação
de nossas sementes não saudáveis. Ele compara o praticante a um jardineiro orgânico
que transforma adubo em flores.

Nós devemos praticar para transformar nossa raiva, nossa angústia,
nossa depressão em amor e compreensão.

O praticante NÃO é aquele que NÃO TEM raiva ou angústia,
mas aquele que sabe transformá-las.

Nesse texto Thay nos ensina como praticar para conseguir essa transformação.

Clique aqui para transformar adubo em flores
Livro: Uma gota de silêncio      (02/Maio/19)

de José Carlos Corrêa Cavalcanti

Assunto: autoconhecimento e espiritualidade - Lançado em 3 de junho de 2017

Palestra de J. Krishnamurti


"Existem bem e mal independente do ser humano?"

Leia...
     (22/Mar/19)
COMPLEXIDADE
     (17/Mar/19)

...
É um equívoco julgar moralmente o mundo.
Por não perceber isso somos atores encenando papéis acalorados,
ora violentos, ora cheios de ternura,
ora ganhando, ora perdendo,
ora feliz, ora sofrendo
um imensurável número de vezes.

Um dia, esse ator perguntará:

Haverá outra maneira de viver?
Como posso me livrar de minhas cargas, me desapegar de meus conteúdos
adquiridos depois de tantos papéis encenados?
Será possível um dia encontrar a PAZ?

Leia mais...
VOCÊ CONHECE DEEPAK CHOPRA?
     (01/Mar/19)

Deepak Chopra tornou-se conhecido mundialmente como um prolífico autor de livros de autoajuda.
Conheça os principais pensamentos desse influente autor.

PENSAMENTOS DE DEEPAK CHOPRA

O EVANGELHO DE MAHARISHI - PREFÁCIO DO TRADUTOR

Tradução: Domingos Sande.     (04/Fev/19)

Em 2014, o brasileiro Domingos Vieira traduziu "O Evangelho de Maharishi", livro esse publicado primeiramente por ocasião do 60º aniversário de Bhagavan Sri Ramana Maharshi, em 27 de dezembro de 1939.

O prefácio da obra, escrito pelo próprio tradutor, é altamente esclarecedor e motivador do texto de profunda sabedoria de Ramana Maharshi.

Leia mais... e veja o link para o download da obra   
Prefácio da obra O EVANGELHO DE MAHARISHI

 

Uma passagem do livro "Talks with Sri Ramana Maharshi".

Tradução: Domingos Sande.     (02/Fev/19)

Uma visitante, depois de um diálogo com Sri Ramana, apresentou a ele a passagem abaixo, excluída por Shelley do seu poema "Ode à Liberdade", e perguntou-lhe se o poeta não era uma alma desperta:

Nos recessos de uma caverna
Do ínvio espírito humano
Há, entronizada, uma imagem,
Tão intensamente luminosa
Que os aventurosos pensamentos
Que por ali vagueiam
Põem-se em adoração e,
Ao passo em que se ajoelham, tremem e fraqueiam,
O esplendor de sua presença e a luz
Penetram sua onírica estrutura,
Até que eles se tornam repletos
Do poder da flama pura.

Ramana Maharshi: Sim. O poema é excelente. Ele tem de ter percebido o que escreveu.

 

Compaixão

José Carlos     (31/Dez/18)

Leia...     Compaixão
 

Que significa "aceitar as pessoas como elas são"?

José Carlos     (7/Set/18)

Leia...     Que significa "aceitar as pessoas como elas são"?
 

Reflexões sobre o estado de consciência de ego

José Carlos     (21/Agosto/18)

Leia...     Reflexões sobre o estado de consciência de ego
 

Os árduos caminhos da transformação interior
(Uma reflexão sobre os estados de consciência na busca da sabedoria")


José Carlos     (17/Agosto/18)

Leia...     Os árduos caminhos da transformação interior
 

MEDITAÇÃO DO PAGAMENTO DA FATURA
(Baseado no Capítulo "Meditação" do livro "Uma gota de silêncio" - página 103)


José Carlos     (31/julho/18)

Geralmente, quando nos sentamos em meditação, está implícita o desejo de atingir um estado de Unidade, de comunhão com Deus. Isso passa pela difícil questão de como, partindo de nossa habitual multidão de pensamentos, vozes, imagens, julgamentos, sensações e emoções, se poderia atingir o estado de silêncio interior, pois o pensamento não pode silenciar a si mesmo (a não ser, talvez, por alguma espécie de auto-hipnose, o que não é absolutamente o caso).

Leia mais...     Meditação do pagamento da Fatura
 

Tudo que é necessário

Rupert Spira      (30/julho/18)

Podemos ter certeza de que existe experiência. Ninguém poderia duvidar disso.
Agora, como podemos ter tanta certeza de que existe experiência? Porque a experiência é conhecida.
Sempre que há experiência, ela é conhecida. Basta ter um momento para verificar isso por si mesmo.
Você poderia ter um pensamento que não era conhecido? Você poderia ter uma percepção, como a visão desta sala ou o som do tráfego, que não era conhecido?

Leia mais...
Tudo que é necessário - Rupert Spira

 

O verdadeiro objetivo da vidação

Rupert Spira      (30/julho/18)

... A única experiência que o eu separado sempre procura é a perda de sua identidade separada. Não é possível ao eu separado procurar outra coisa; todo desejo que o eu separado tem é apenas o desejo de deixar de ser separado.

Leia mais... O verdadeiro objetivo da vida - Rupert Spira
 

Trechos do livro "Antes do EU SOU", de Mooji
(14/julho/18)

1) O "eu" tem algumas associações do passado, projeções para o futuro, um papel ou comportamento, e por causa da crença nesse papel a consciência é mantida prisioneira em uma certa identidade. Quem é o "eu", e precisamente onde está o "eu" exatamente agora?

2) O papel da mente é confundir vocé, o que ela faz muito bem. A única coisa é que ela precisa de sua colaboração, o que você faz muito bem.

3) Se for deixada sem questionamento, a hipnose da identidade (adquirida) permanecerá sem ser descoberta.

4) A mente é expressão da Consciência, que se manifesta como o sábio, o tolo, o buscador.

5) Se o desejo de saber quem você realmente é surge em você, aceite-o como já sendo a atividade da Graça.

6) O "buscar" é um impulso que surge do Ser para redescobrir a Si mesmo.

7) Aquilo que você está buscando já é o próprio lugar de onde surge a busca.

8) Toda busca é afinal, para uma coisa só: encontrar o buscador.

9) Você é a Consciência Crística. Mas você não está totalmente consciente disso, porque adotou e identificou o corpo e a mente não apenas como sua expressão, mas também como seu verdadeiro ser.

10) Seja o espaço e deixe que a mente vagueie por onde quiser. Mas, quando há consciência desse espaço imóvel, não há nenhuma mente vagueando.

11) O ponto está em compreender a eterna e derradeira mensagem que você é apenas a testemunha sem forma, a realidade imutável por detrás da mente movente. Você surge como entidade separada com poder de vontade própria devido a Maya, a ilusão cósmica. Maya é o poder que permite ao Ser experenciar e desfrutar o sabor de si mesmo como existência... a Consciência não pode realmente conhecer a si mesma quando carece de compreensão sutil e experiência direta.

12) A alegria que surge com o conhecimento do Ser é impessoal, sempre nova, desassociada e atemporal.
 
Replay

     (15/julho/18)

Um instante: quero um replay da felicidade perdida.
Onde está ela? Quero-a de novo, em câmera lenta.
Quero de novo aquele momento bordado de amor,
Em verde, vermelho, branco e dourado intenso.

Lá fora a noite é profunda.
Ninguém nas ruas. Ladram os cães: isso não me importa.
Esta música suave fala de tantas coisas...

É madrugada e eu não sei dormir;
Já é tão tarde e eu não sei chorar.
Sei que dentro de mim
Há qualquer coisa muito machucada.
Estou no meu país longínquo:
Ele é todo meu, mas é tão deserto!

Não sei o que fazer da vida.
Rejeição, solidão, rimas em ão,
Angústia que me rói por dentro, até onde, até quando,
Tutu Marambá, não sei...
O que quer de mim, não sei...

Por isso,
       Quero um replay em câmera lenta,
       De qualquer momento mais feliz.
-------------------------------------------------------------


Poema de José Carlos Corrêa Cavalcanti - fevereiro de 1983.

Sobre a Concentração

Rupert Spira      (25/maio/18)

Caro Rupert,

Eu me beneficiei imensamente de ler seu livro e suas respostas aqui para perguntas dentro deste grupo. Obrigado. Gostaria de saber se você considera alcançar altos níveis de concentração necessários para a iluminação. As conquistas deste tipo parecem ser um pré-requisito para a iluminação em alguns métodos de ioga e ensinamentos budistas.

Linda


Querida Linda,
A resposta curta é "não."
...

Leia mais... Sobre a Concentração - Rupert Spira
 

Os Problemas decorrentes de localizar a Espiritualidade na Psique
Pe. Bede Griffiths      (24/maio/18)

Bede Griffiths (17.dezembro.1906 - 13.maio.1993), nascido Alan Richard Griffiths na Inglaterra, de pais anglicanos, é também conhecido como Swami Dayananda (Bem-aventurança da Compaixão).

Estudou em Oxford e após a Primeira Guerra Mundial entrou para a ordem beneditina da Igreja Católica Romana. Depois de uma longa estadia em três monastérios ingleses, em 1955 partiu para continuar sua busca espiritual como cristão entre os devotos aldeões hindus do sul da índia. Lá dirigiu o Saccidananda Ashram, uma casa de orações e retiro (fundado por dois beneditinos franceses, Jules Monchanin e Henri le Saux) na bela zona rural no oeste de Tiruchirapalli nas margens do rio sagrado Cavery.

Leia mais... Entrevista com o Pe. Bede Griffiths
 

Reflexões...      (18/maio/18)

"Duas pessoas têm vivido em você por toda a sua vida. Uma é o ego, tagarela, exigente, histérico, calculista; a outra é o ser espiritual escondido, cuja silenciosa voz de sabedoria você somente ouviu ou reparou raramente - você revela em si mesmo o seu próprio guia sábio." (Sogyal Rinpoche)

Creio que isso é só um modo de dizer: "duas pessoas têm vivido em você...".

Assim fazendo, o autor remete a consciência de ego, familiar a todos, ao "ser espiritual escondido", para despertá-lo de seu centramento em si mesmo e abrir sua mente a uma realidade superior.

Na realidade, porém, não há dois. Antes de esclarecer essa posição, vamos estabelecer que por ego entende-se aquilo em nós que está consciente dos objetos e suas descrições, das emoções e sensações físicas.

E, pela palavra Ser, quero significar "aquilo que faz a rosa desabrochar", no dizer de Tagore, ou "a respiração de tudo que respira", como disse Kabir, ou ainda a Consciência Primordial do Universo. Trata-se de um Princípio impessoal, transcendental, que se expressa em formas particulares, finitas e limitadas, que o tomam como entidade individual.

Ora, o ego é aquele que percebe, como sujeito, o mundo dos objetos, pensamentos, sensações, etc. E com eles se identifica. Mas ele não existe em si mesmo; trata-se de uma entidade permanentemente hospedada, e hospedada aonde? exatamente no Ser!

Por ignorar sua natureza original, a identidade de ego é ilusória, não tem substância própria. E ela tem por características mais marcantes o medo da finitude e o desejo de completude.

O medo vem de perceber-se identificado ao corpo, aos processos físicos, mentais, emocionais, os quais são temporários, sujeitos à decadência e à morte.

E o sentimento de incompletude surge ao perceber-se separado do Ser, pelo qual (e sem saber) ele anseia a todo instante.

Portanto, o ego é uma face do Ser, e não cabe desejo de extinção do ego. É a face do Ser na manifestação; finita, incompleta, limitada, que desenvolve grande apego (e aversão) às coisas do mundo, ao qual fica escravizado. Para que encontre sua natureza original, deverá desapegar-se de suas paixões em primeiro lugar; do contrário continuará sendo conduzido por elas, o que significa usar a Presença que traz em si para escravizar a si mesmo!.

A seguir, deverá conscientizar-se de si mesmo enquanto sujeito identificado a pensamentos, sensações e emoções e compreender que NADA DISSO é responsável pelo estar ciente das coisas do mundo.

Ou seja: há algo FUNDAMENTAL, o mais óbvio, mas não notado, algo em si que é responsável pelo estar ciente das coisas, e esse algo
NÃO é formado por pensamentos, sensações e emoções.

Trata-se de sua substância; a fonte da percepção, da compreensão, da compaixão e do amor.

Centrando-se nesse Princípio, a consciência de ego estará realizando o "Eu e o Pai somos um", de Jesus.


Mestre Eckhart - teólogo alemão do século IV.       (18/maio/18)

Trecho do livro "Mestre ECKHART" - de Luiz Carlos Lisboa (Coleção Transcendência)
"Nada importa muito se não se trata de descobrir em nós o ABSOLUTO".


Perseguido pela Santa Inquisição, Eckhart foi acusado de heresia, teve suas obras censuradas e queimadas na mesma fogueira onde os heréticos eram martirizados.

As lendas que cercam mestre Eckhart foram reunidas numa grande edição (Leipzig, 1938) da Schultze-Maizier, que as tomara dos autores Pfeiffer, Jundt e Strauch.

Uma delas conta que uma moça chegou a um convento e pediu para falar com mestre Eckhart. O porteiro quis saber a quem devia anunciar, e a jovem respondeu:

"Não sei". O porteiro pediu que se explicasse e ela esclareceu:

"Não saberia o que dizer porque não sou, na verdade, uma moça ou uma mulher, um homem ou uma dama, nem um senhor, nem um empregado."

Eckhart foi informado dos fatos e veio, logo que foi possível, falar com a visitante, dizendo:

"Amada pessoa, suas palavras são acertadas e plenas de sentido, mas o que deseja de fato?"

A moça disse que queria conhecê-lo e concluiu que tinha muita dificuldade em definir-se, assim como achava impossível dizer por que queria conhecê-lo.

"Não sou nada do que me atribuem, porque não sou mais do que uma coisa qualquer e assim vou pelo mundo."

Quando mestre Eckhart voltou para junto dos seus irmãos, disse-lhes:

"Acho que acabo de ouvir a mais pura de todas as criaturas humanas que poderia encontrar."


Há felicidade no mundo da caverna?      (08/abril/18)



Leia... A realização do amor pessoal na caverna da mente
 


NARRATIVAS      (07/abril/18)



Leia... As narrativas como fonte de inverdades
 


EXPERIÊNCIA ESTÉTICA NA MPB      (14/mar/18)



Leia... Sei lá, Mangueira
 


INICIANDO O CAMINHO ESPIRITUAL AQUI MESMO      (11/mar/18)
Fonte: Nossa Casa


Leia... Iniciando o caminho espiritual aqui mesmo
 


Dirk Gerhard Petzsch — Yogashala      (9/mar/18)
Fonte: yogashalaweb


Leia... Então, o que é a Realidade?
 


Dirk Gerhard Petzsch — Yogashala      (9/mar/18)
Fonte: yogashalaweb


Leia... Será que o sofrimento continua?
 


Reflexões...      (5/mar/18)
Fonte: Sangha Virtual
Os instrumentos de busca da verdade são ao mesmo tempo simples e complexos. Podem parecer impossíveis para uma pessoa orgulhosa, mas acessíveis a uma criança inocente.

Aquele que busca a verdade deve, antes de tudo, ser tão humilde quanto o pó. O mundo pisa sobre o pó, mas quem persegue a verdade deve ser tão humilde que mesmo o pó poderia pisá-lo. Somente assim vislumbraremos a verdade.
(Gandhi)
 
Na verdade a iluminação é bem simples. Pense nela em termos de habitualmente andar através de uma sala escura, esbarrando em mesas, cadeiras e outras peças de mobiliário. Um dia, por sorte ou acidente, nos encostamos no interruptor que liga a luz. De repente, vemos toda a sala, todo o mobiliário nela, as paredes, e os tapetes, e pensamos, "Veja todas essas coisas aqui! Não me admira que eu ficasse esbarrando nelas!"

E enquanto olhamos para tudo talvez com um maravilhamento de ver as coisas pela primeira vez, percebemos que o interruptor de luz estava sempre ali.

Apenas não sabíamos, ou talvez apenas não pensássemos sobre a possibilidade que a sala pudesse ser algo diferente de apenas escuro.
(Yongey Mingyur Rinponche)


O MONGE E O DRAGÃO      (01/mar/18)
Na figura, o monge em meditação tem ao lado o dragão atormentador. Como pode ser isso?

Leia mais... O Monge e o dragão
 

IMAGENS QUE FALAM POR SI MESMAS (3)      (28/fev/18)
...

BEM AVENTURANÇA      (24/fev/18)
POEMA DE RUMI

Existe uma comunidade do espírito.
Junte-se e sinta o prazer
de andar na ruidosa rua,
e sendo o barulho.
 
Feche os dois olhos
para ver com o outro olho.
 
Abra as mãos,
se você quer ser segurado.
 
Sente-se neste círculo.
 
Pare de agir como um lobo e sinta
O amor do pastor encher você.
 
Seja vazio de preocupação.
Pense em quem criou o pensamento!
Por quê você fica na prisão,
quando a porta está tão aberta?
 
Mova-se para fora do emaranhado do pensamento e do medo.
Viva em silêncio.
 
Flua para baixo e para baixo,
sempre alargando os anéis do ser.

Flua para baixo e para baixo,
sempre alargando os anéis do ser.

Flow down and down in
always widening rings of being.


fonte:https://www.spiritawake.net

IMAGENS QUE FALAM POR SI MESMAS (2)      (24/fev/18)

Grafite na altura da av. Paulista 2850, bem em frente ao final da av. Angélica:
TEREI EU ALCANÇADO OS ANSEIOS DE MINHA ALMA, OU SIMPLESMENTE EXISTÊNCIA?

IMAGENS QUE FALAM POR SI MESMAS (1)      (24/fev/18)
...

O ego, segundo Freud e Jung      (31/jan/18)

O ego, diz Freud, é "um pobre coitado", espremido entre três escravidões: os desejos insaciáveis do id, a severidade repressiva do superego e os perigos do mundo exterior.

Por esse motivo, a forma fundamental da existência para o ego é a angústia.

Se se submeter ao id, torna-se imoral e destrutivo; se se submeter ao superego, enlouquece de desespero, pois viverá numa insatisfação insuportável; se não se submeter à realidade do mundo, será destruído por ele.

Cabe ao ego encontrar caminhos para a angústia existencial. Estamos divididos entre o princípio do prazer (que não conhece limites) e o princípio da realidade (que nos impõe limites externos e internos).
(Freud)
 
"Que eu faça um mendigo sentar-se à minha mesa, que eu perdoe aquele que me ofende e me esforce por amar, inclusive o meu inimigo, em nome de Cristo, tudo isto, naturalmente, não deixa de ser uma grande virtude.

O que eu faço ao menor dos meus irmãos é ao próprio Cristo que faço.

Mas o que acontecerá, se descubro, porventura, que o menor, o mais miserável de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais insolente dos meus caluniadores, o meu inimigo, reside dentro de mim, sou eu mesmo, e precisa da esmola da minha bondade, e que eu mesmo sou o inimigo que é necessário amar?"

Carl Gustav Jung THE COLLECTED WORKS OF CG JUNG – volume XI, par. 520

A Mentira e a Verdade - uma parábola (tirado da Internet)      (02/jan/18)

Certa vez, a Mentira e a Verdade se encontraram. A Mentira, dirigindo-se à Verdade, disse-lhe:

– "Bom dia, dona Verdade!"

Zelosa de seu caráter, a Verdade, ouvindo tal saudação, foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, sem nuvens de chuva. Os pássaros cantavam. Não havia cheiro de fumaça na mata. Tudo parecia perfeito.

Tendo se assegurado de que realmente era um bom dia, respondeu:

– "Bom dia dona Mentira!"

Está muito calor hoje, não é mesmo?" – disse a Dona Mentira.

Diante do calor insuportável, a Mentira, num gesto de amizade convidou a Verdade para juntas banharem-se no rio.

Como não havia mais ninguém por perto, despiu-se de suas vestes, pulou na água e insistiu:

– "Vem dona Verdade, a água esta uma delicia, simplesmente maravilhosa!"

O convite parecia irrecusável. Assim sendo, Dona Verdade,sem duvidar da Mentira, despiu-se de suas vestes, pulou na água, e deu um bom mergulho.

Ao ver que a Verdade havia saltado na água, rapidamente a Mentira pulou para fora, vestiu-se rapidamente com as vestes da Verdade que estavam à margem e se mandou sorrateira.

Tendo suas roubas furtadas, a Verdade sai da água e ciosa de sua reputação, por sua vez, recusa-se a vestir-se com as roupas da Mentira, deixadas para trás.

Certa de sua pureza e inocência, nada tendo do que se envergonhar, não tendo outra opção, saiu nua.

Desde então, aos olhos das pessoas, ficou mais fácil aceitar a Mentira vestida com vestes da Verdade, do que aceitar a Verdade nua.

Frases que fazem pensar...    (2/dez/17)




"O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo.
O que for o teu desejo, assim será tua vontade.
O que for tua vontade, assim serão teus atos.
O que forem teus atos, assim será teu destino."

Brihadaranyaka Upanishad
 



"Quando o deleite de ser busca realizar a si próprio como deleite do vir-a-ser,
entra no movimento de forças e toma diferentes formas de movimento,
do qual prazer e dor são correntes positivas e negativas."

Sri Aurobindo
 



A base fundamental sobre a qual repousa a estrutura da metafísica de Sri Aurobindo
é que tanto a matéria como o espírito são reais.
Nem o espírito nem a matéria devem ser rejeitados como uma ilusão.
A filosofia idealista que nega a matéria tem visão tão limitada
quanto a filosofia materialista que nega o espírito.

Introdução à Filosofia de Sri Aurobindo
 



Dissestes alguma vez "sim"a uma alegria? ó! meu amigos!
Então dissestes também "sim" a todas as dores!
Todas as coisas estão encadeadas, forçadas; se algum dia quisestes
que uma vez se repetisse, se algum dia dissestes: "Agradas-me, felicidade!",
Então quisestes que tudo tornasse.

Assim falava Zaratustra – Nietzsche
 



"É necessário que queira consumir-se na sua própria chama;
como poderia renovar-se sem primeiro reduzir-se a cinzas?"

Assim falava Zaratustra – Nietzsche
 



"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos
pelos que não podiam escutar a música."

Nietzsche
 



Não importa que defeitos você possa ter em sua natureza.
A única coisa que importa é você se manter aberto à Força.
Ninguém pode se transformar por seus próprios esforços sem qualquer ajuda;
É somente a Força Divina que pode transformá-lo.

Se você se mantém aberto, todo o resto será feito por você.

Quase ninguém é forte o suficiente para superar, por sua aspiração e vontade,
as forças da natureza mais baixa; mesmo aqueles que o fazem, conseguem somente
uma certa espécie de controle mas não um domínio completo.

Vontade e aspiração são necessárias para trazer para baixo a ajuda da Força Divina
e para manter o ser do lado dela quando lida com os poderes mais baixos.
Só a força Divina cumprindo a vontade espiritual e a aspiração psíquica
do coração pode afetar a conquista.

Abandonar o esforço pessoal não é o que lhe é pedido, mas chamar cada vez mais
pelo Poder Divino e através dele governar e guiar o esforço pessoal.
Praticar o Yoga implica na vontade de superar todos os apegos e voltar-se para o Divino somente.

A coisa principal no Yoga é confiar na Graça Divina a cada passo,
dirigir o pensamento continuamente para o Divino e oferecer-se até que o ser se
abra e a Força da Mãe possa ser sentida trabalhando no Adhar (receptáculo da consciência).

Palavras de Sri Aurobindo
 


 

Os Cinco Reinos da Paz      (28/nov/17)

É possível descansar no momento presente? O oceano profundo é calmo, mas, por sua própria natureza, as ondas são instáveis, às vezes tranquilas, muitas vezes agitadas.

Bom seria se pudessemos tomar refúgio interior do passado, que nos puxa para trás, e do futuro, que nos empurra para a frente — sendo que esse "para trás" e esse "para a frente" não existem de fato, existem apenas em nossa imaginação!

Nesse texto maravilhoso, Thich Nhat Hanh nos mostra como podemos descansar profundamente ao caminhar, ao tomar uma xícara de chá ou mesmo, simplesmente, numa respiração profunda, pela prática da atenção plena.

Leia... Os cinco reinos da paz - Thich Nhat Hanh

Visite também o site: viverconsciente.com
 

Whoever Knows their Self, Knows their Lord — An Explanation of the Oneness of Being
Awhad al-din Balyani – Sufi – Persia – 13th century
(Rendered from a translation by Cecilia Twitch)


Quem conhece o seu Ser, conhece o seu Senhor — Uma explicação da unicidade do Ser
Awhad al-din Balyani - Sufi - Persia - século 13

fonte: https://www.spiritawake.net/whoever-knows-their-self/

(20/nov/17)


O autor, místico sufi do século XIII, expõe sua visão da unicidade do Ser, em linguagem poética num texto denso e belíssimo, de grande profundidade.
Obs.: alguns trechos não consegui traduzir, então deixei como no original em inglês.


I know the Lord through the Lord
without doubt or uncertainty.

My essence is really His essence
without lack or imperfection.

There is no otherness between Us
and my self is the place where
the invisible appears.

Since I know myself
without mixture or blemish,
I have reached union with my beloved
without distance or closeness.

I have received a gift overflowing
without any giving or intermingling.

My self did not vanish in Him
nor does the one who vanished remain.

Eu conheço o Senhor através do Senhor
sem dúvida ou incerteza.

A minha essência é, na verdade, Sua essência
sem carência ou imperfeição.

Não há nenhuma diferença entre Nós
e o meu eu é o lugar onde
o invisível aparece.

Desde que eu me conheço
sem mistura ou mácula,
alcancei união com o meu amado
sem distância ou proximidade.

Eu recebi um presente transbordante
without any giving or intermingling.

O meu eu não desapareceu Nele
nem o que desapareceu permanece.



Leia mais alguns excertos dessa maravilhosa obra: Uma explicação da unicidade do Ser
 

Curto-circuito      (19/nov/17)

Ensina-me a glória da minha cruz, ensina-me o valor do meu espinho!
Mostra-me que é pela vereda da dor que tenho subido a ti.
Mostra-me que as lágrimas formam em minha vida um arco-íris."
(George Matheson, conhecido pregador cego da Escócia)

O texto intitulado "Mananciais do deserto", logo abaixo, revoluciona nossa maneira comum de pensar.
No entanto, a um leitor desatento, parecerá o elogio da dor.
Mas não é isso. Para esclarecer o que estou dizendo, precisamos ter em mente o significado do ego.
Vejamos um pequeno trecho do livro "O mal estar na civilização", de Freud:
(download do PDF nesta página, na seção de downloads no lado inferior esquerdo)

Normalmente, não há nada de que possamos estar mais certos
do que do sentimento de nosso eu, do nosso próprio ego.
O ego nos aparece como algo autônomo e unitário,
distintamente demarcado de tudo o mais.
Ser essa aparência enganadora – apesar de que, pelo contrário,
o ego seja continuado para dentro, sem qualquer delimitação
nítida, por uma entidade mental inconsciente que designamos como id,
à qual o ego serve como uma espécie de fachada...

A expressão "continuado para dentro" significa apenas que o ego provem do id, o inconsciente profundo de onde vem o desejo de viver e de realização incondicional do prazer, para o qual o ego "serve como uma espécie de fachada".

Acontece que, submetido às pressões do superego e ao "princípio de realidade" (onde a evitação da dor se sobrepõe à realização do prazer), o ego é obrigado a aceitar que deverá internalizar certo número de frustrações (donde o título da obra - O mal estar na civilização).

O fundamento do ego é o pensamento. Ora, no período de vigília estamos quase sempre pensando. Qual é o porquê de tanto pensar, senão a realização de desejos? Pois mesmo nossas preocupações e ansiedades se originam do desejo de que as coisas sejam do jeito que queremos.

Ao perceber-se como estrutura manipulada pelo desejo, o ego sensível se dá conta de sua inanidade, falta de substância. É aí que começa a vida religiosa. Pois, se meu ego (meu eu) não existe por si mesmo, e sim como uma mistura automática de pensamentos, desejos, sensações e emoções, então QUEM SOU EU?

Vemos aí a profundidade do texto, pois a convivência com a dor pode depurar o ego de pesada herança de uma inconsciência ancestral (que nada tem de espiritual, pois representa o desejo de realização incondicional de desejos sensoriais, sobretudo de satisfação sexual) — inconsciência essa que adere à sua identidade adquirida no mundo.

Esse é o curto-circuito do título acima:

Ensina-me a glória da minha cruz, ensina-me o valor do meu espinho!

Mananciais no Deserto - Lettie Cowman       (4/nov/17)

Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades,
nas perseguições, nas angústias, por causa de Cristo.
Porque quando sou fraco, então é que sou forte (II Cor. 12:10)


"Aqui está o segredo para experimentarmos a suficiência de Deus:
chegar ao fim de nós mesmos e dos nossos recursos.

Quando chegamos a esse ponto, paramos de pedir a compaixão dos outros pela nossa situação
ou pelo tratamento que recebemos, pois reconhecemos nas circunstâncias
as próprias condições de bênção,
e nos voltamos delas para Deus.
Vemos nelas uma oportunidade para lançar mão das suas promessas." — A. B. Simpson

George Matheson, o bem conhecido pregador cego da Escócia, disse certa vez:

"Meu Deus, eu nunca te agradeci por meu espinho. Muitas vezes
te agradeci por minhas rosas, mas nem uma vez por meu espinho.

Sempre sonhei com um mundo onde obterei a compensação pela minha cruz,
mas nunca pensei em minha cruz como sendo, ela mesma, uma glória presente.


Ensina-me a glória da minha cruz, ensina-me o valor do meu espinho!
Mostra-me que é pela vereda da dor que tenho subido a ti.
Mostra-me que as lágrimas formam em minha vida um arco-íris."
 

É elitista o ensino de Krishnamurti?      (30/out/17)

Krishnamurti é um criador, um mestre do autoconhecimento. Seu ensino tem influenciado inúmeras pessoas em todo o mundo. Escreveu dezenas de livros e proferiu centenas de palestras em vários países, particularmente nos Estados Unidos, Inglaterra, Suiça e Índia. Ele debateu temas religiosos com as maiores inteligências do mundo atuantes em diversas áreas, incluindo líderes religiosos e alguns prêmios Nobel, sendo sempre ouvido respeitosamente.

Foi apontado como o "Instrutor do Mundo" pela Sociedade Teosófica mas rejeitou o papel messiânico que lhe impingiram. Mas o fato é que muitos dos instrutores espirituais de nossos dias beberam na fonte de seus ensinamentos, embora nem todos o admitam publicamente. Seu ensino apresenta desde conceitos simples de entender até outros de difícil entendimento e até polêmicos, o que levanta a pergunta: será elitista o ensino de Krishnamurti?

Veja algumas de suas ideias, colocadas de maneira livre:
  • O "eu" é um feixe de memórias, sensações e desejo de vir a ser
  • Tempo psicológico: é uma invenção da mente, ou seja, uma criação do pensamento em seu propósito de vir a ser, e tem por objetivo preservar o "eu".
  • O pensador é o pensamento; o pensamento gera o pensador para alçar-se a níveis mais altos, visando obter permanência.
  • O controlador é o controlado
  • A consciência é o conteúdo da consciência
  • As emoções são geradas pelo pensamento, memória, lembranças; o medo, por exemplo, resulta da interpretação que a mente faz de um certo fenômeno.
  • O Amor não tem relação com o pensamento
  • O ente humano não é um indivíduo, porquanto sua mente é a mesma de qualquer outro ente humano — uma história de medo e condicionamentos, desejos e frustrações, perseguição do prazer e fuga da dor.
E assim por diante. Questionado se esse ensino é para todos ou apenas para alguns, ele responde:

— "É para qualquer pessoa que esteja atenta, que questione, que investigue, que tente entender toda essa horrível confusão da vida."


Certamente não é um ensino simples, ao contrário, exige muita perseverança e amadurecimento, e só lentamente revela com clareza seu profundo significado em nosso entendimento. Mas vale totalmente cada minuto dispendido seriamente nele.

Quanto ao suposto elitismo de sua mensagem, sem dúvida ela exige uma mente sã, que queira aprender sobre si mesma e descobrir o porquê de seu sofrimento psicológico, emocional. Mas, quantos têm esse interesse profundo, vital, radical?

Para todas as exterioridades nós achamos tempo, temos interesse; para futebol, shows, todos os tipos de distrações, achamos tempo e dinheiro para investir.

Vejam quantos dedicam tanta atenção ao CELULAR e seus recursos e aplicativos, que os apaixonam e alienam de si mesmos. Para isso não falta tempo nem interesse! As dificuldades no aprendizado das técnicas ali utilizadas são facilmente transpostas! Mas, quando se fala em autoconhecimento e espiritualidade, muitos "acham difícil".

Ora, hoje em dia há inúmeras palestras legendadas de Krishnamurti no Youtube, que podemos assistir gratuitamente. Ali poderemos ver que, quando K. faz uma palestra, que muitas vezes é transformada em livro, ele usa palavras em inglês as mais simples, falando pausadamente, para todos entenderem.

Por isso, não creio que possamos falar em elitismo, embora seu ensino exija empenho, interesse, paixão.

Leia mais... O ensino de Krishnamurti
 

Separar o grosso do fino      (29/out/17)

Dispomos de liberdade interior, em algum grau?
Quando os pensamentos disputam entre si e alguns deles se afirmam em meio a conflitos e discussões internas, algo parece aceitar aquilo que se afirma; seria o nosso "eu".

Em outro momento, porém, outros pensamentos são vitoriosos e, novamente, nosso "eu" os aceita,
embora totalmente opostos! Na base desse eu tão contraditório, há algo extremamente maleável,
ao qual não parece importar em absoluto a "verdade atual" de nossa mente.

Essa é a base de tudo: aquele ou aquilo que está consciente de nossas experiências,
de momento a momento, em nossa jornada pelo mundo.

Pensamos que a sabedoria consiste em fazer boas escolhas mentais, pensar bons pensamentos e conseguir boas consequências — mas nos esquecemos por completo de voltar a atenção ao fator "estar consciente", que está na base de cada pensamento, sensação, emoção ou julgamento.

É ali, no entanto, nAquele ou nAquilo que conhece qualquer experiência ou escolha
sem se envolver em juízos sobre ela, que está a liberdade; não na escolha feita, a qual
em breve revelará consequências boas e ruins (é o que acontece com toda escolha).

A liberdade não está no ato de escolher e nem na escolha feita,
mas naquilo que as torna possíveis, que está sempre presente,
não emite quaisquer juízos, não condena nem absolve,
aquilo que nunca muda e, na verdade, é idêntico para todos nós.

Libertação, então, é SER UM com essa Presença que não pensa nem deseja nem julga,
mas que é engolfada pelo desejo e pelo pensamento — constituindo o "eu pessoal", que nos escraviza. É por isso que se diz:

"a diferença entre o sábio o tolo é mais fina que um fio de cabelo".

E também:
"Espiritualidade é saber separar o grosso do fino".

 
 

Involução e Evolução       (22/out/17)

O mecanismo ou dinâmica da evolução do pó ao divino é, sem dúvida, muito complexo.
É possível que da poeira de estrelas surja a vida?
Como se dá a descoberta de algo novo? a teoria da relatividade, por exemplo?
E as descobertas da teoria quântica?

Como é possível que uma coisa tão minúscula como o cérebro humano
torne-se a antena que capta o desconhecido e decodifica a Natureza?

Ler o texto abaixo poderá clarear esse espinhoso assunto, pela ótica de Ken Wilber:
A grande cadeia do Ser
 

Nossos pensamentos são mesmo nossos?      (14/out/17)

Parece estranha essa pergunta. Mas a verdade é que, antes de respondê-la, precisamos responder outra:
"Nossos de quem?"
Ou seja, com quê nos identificamos? Se você se identifica com a mente-cérebro, a resposta é SIM, pois
na consciência de ego, o "eu" se identifica com seus conteúdos e aprendizagens,
pensamentos, julgamentos, sensações e emoções.

Leia mais.. Nossos pensamentos são mesmo nossos?.

 

A origem do ego, segundo a filosofia Hindu (09/out/17)

"Púrusha é o espírito, a consciência pura que observa os fenêmenos através da mente-cérebro.
Essa mente se encontra impregnada de Púrusha mas não o percebe,
gerando assim o observador pessoal (consciência de ego),
com seus canais sensoriais, seus pensamentos, julgamentos, sensações e emoções."


Leia mais... A raiz do sofrimento
 

Não engula o falso como verdadeiro (07/out/17)

Assim como toda identidade adquirida é falsa, temporária, apenas um rótulo operacional ou psicológico para um conjunto de hábitos e aprendizagens, assim também nossas emoções e convicções intelectuais não passam de máscaras com as quais a consciência se esconde de si mesma

Não haverá liberdade interior enquanto não contemplarmos nossa face nua, como no extraordinário conto "O louco", de Khalil Gibran.


Fazer coisas inúteis... (28/set/17)

Você já experimentou dar o melhor de si, toda a sua atenção e carinho em alguma atividade inútil e não lucrativa? Então, nossos semelhantes simplesmente não se interessam por ela. Fica totalmente não reconhecida.
Mas não estou falando de um hobby, pois neste sua atenção se dissipa em coisas exteriores, alheias a seu espírito.

     Limpar uma praça pública uma hora por semana,
sabendo quem em poucos minutos já estará suja de novo...

     Derramar seu coração em poemas que não serão lidos...
     Simplesmente olhar o encanto de uma flor perfumosa,
vendo as abelhas dançando a seu redor...

     Ir andando numa calçada e, de repente,
sem que nem porque, parar e olhar para trás...


Fazer coisas assim, sem quê nem porquê mas com toda atenção tem um toque de presença, um sabor de liberdade. Mas as pessoas que passam a vida toda como autômatos, fazendo coisas sem amor nem presença, somente por obrigação, dinheiro ou conveniência, talvez achem que isso é um absurdo, que você é louco...

E você continua fazendo, ainda com mais consciência, sabendo que é uma pequena pérola, porque é a presença pura do espírito...


Acreditar nos pensamentos? (25/set/17)

É claro que o pensamento tem um lugar importante na mente, quando ele é técnico, objetivo.
Mas não quando ele se apossa de nós, quando assume nossa identidade.

Em outras palavras: devemos "não acreditar" nos pensamentos e julgamentos de natureza
emocional ou psicológica, pois além de serem intrinsecamente limitados e parciais,
e conterem uma boa dose de exageros e falsidades,
ao acreditar neles (re)criamos e mantemos a ilusão da identidade separada.
 
 
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  Ouça músicas...
                        1º CD - Valsas, chorinhos e canções            2º CD - Em cada canção que eu faço
                        3º CD - Passeio Musical                             4º CD - Contemplação

(Som testado nos navegadores Google Chrome e Mozilla)

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     ☼☼☼ Morrendo antes de morrer                       ☼☼☼ Viver no espírito de finitude                       ☼☼☼ Preparar-se a cada momento

 
Estou ciente de minha finitude, e de todos com quem me relaciono. Sei que nada restará, a não ser um punhado de cinzas.
Sei que a morte é inevitável e pode chegar a qualquer momento, trazendo o final de minhas preocupações e ansiedades e do vão movimento do pensar em busca de felicidade e segurança.
Por isso, trago para este momento aquela hora final, para vivenciar conscientemente o estado da mente que não tem um amanhã — morrendo, então, antes de morrer.
 
Viver no espírito de finitude (finitude = grande realidade da vida) quebra a continuidade do ego e nos liberta do medo.
Atenção! Isso não quer dizer que não se possam exercer ações que apontem para o futuro, como plantar uma árvore ou marcar um compromisso. Refiro-me ao sentido psicológico, a parar de fugir das feridas emocionais e de "dar tratos à bola" procurando felicidade e segurança num futuro... incerto.
Isso traz uma grande serenidade e o sabor do silêncio, pois a mente se aquieta quando não tem um amanhã para vir a ser, para uma apenas suposta e imaginária autorrealização entre os impermanentes e ilusórios objetos do mundo.
A meditação da finitude pode ser feita a qualquer momento e nos livra dos pensamentos ociosos, inúteis e supérfluos.
 
Estar preparado para morrer... é estar, a cada momento:
** livre do mundo emocional e suas cadeias...
** livre do desejo de autorrealização psicológica no decurso do tempo...
** e, principalmente, estar em comunhão consciente com nossa própria natureza mais profunda, silenciosa, pacífica e sem conteúdos — a semente da Consciência Divina em nós.
abc
O despertar da consciência mística A união consciente com Deus
Diálogo de UG com Ramana Maharshi Alegoria da Caverna de Platão
Desenredo - de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro As aparências enganam - de Sérgio Natureza/Tunai
Diálogo de Milinda e Nagasena
Profunda reflexão sobre a vacuidade de todas as coisas
Os venenos da mente
Os dois pássaros
Belíssima alegoria de Rabindranath Tagore sobre o apego a algemas
Os princípios do Budismo
O sabor do Zen - Taisen Deshimaru Krishnamurti: Sobre a Educação
Krishnamurti: Sobre a Dúvida  O mito de Pandora
"Entrevista" com Fernando Pessoa Contos Zen - Daniel Law
O caso dos cinco macacos Budismo-Psicologia-Do-Auto-Conhecimento - Dr. Georges da Silva e Rita Homenko - "Download grátis"
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 Diálogo de UG com Ramana Maharshi

O Bhagavan, um homem sereno, da maior sabedoria e integridade, não poderia causar uma impressão mais forte no jovem U.G.

Ele raramente falava àqueles que dele se aproximavam com questões. U.G. aproximou-se do mestre apreensivamente, fazendo-lhe três perguntas:

"Existe uma coisa chamada iluminação"?, perguntou U.G.

"Sim, existe", respondeu o mestre.

"Existem nela quaisquer tipos de níveis?"

O Bhagavan respondeu: "Não, não há níveis. É uma coisa só. Ou você está ali ou não está absolutamente."

Finalmente, U.G. perguntou: "Essa coisa chamada iluminação, você pode me dar?"

Olhando o sério jovem bem nos olhos, ele respondeu:

"Sim, eu posso lhe dar, mas você pode pegar?"

Daí em diante, U.G. ficou obcecado por essa resposta e implacavelmente começou a perguntar a si mesmo:

"O que é isso que eu não posso pegar?"

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Desenredo
de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro


Por toda terra que passo
me espanta tudo o que vejo
A morte tece seu fio
de vida feito ao avesso
O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego eu me enredo
Nas tramas do teu desejo!

O mundo todo marcado
a ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo,
a morte é o fim do novelo
O olhar que assusta anda morto
O olhar que avisa anda aceso
Mas quando eu chego eu me perco
Nas tranças do teu segredo.

Ê Minas, Ê Minas, é hora de partir, eu vou...
Vou-me embora prá bem longe (bis)

A cera da vela queimando
O homem fazendo seu preço
A morte que a vida anda armando
A vida que a morte anda tendo
O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte indefeso
Mas quando eu chego eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo.

Ê Minas, Ê Minas, é hora de partir, eu vou...
Vou-me embora prá bem longe...

Clique para ouvir essa linda canção (via Youtube)

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As aparências enganam
de Sérgio Natureza/Tunai - gravada por Elis Regina


As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões.
Os corações pegam fogo e, depois, não há nada que os apague...
Se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno e o pão,
o vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão,
sonhos vividos de conviver...

As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões.
Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele...
Se a neve, cobrindo a pele,
vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer,
não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer,
senão chorar sob o cobertor...

As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno...
Mas o verão que os unira,
ainda vive, e transpira ali

Nos corpos juntos na lareira...
na reticente primavera...
No insistente perfume
de alguma coisa chamada amor...


Ouça essa linda canção com Elis Regina (via Youtube)

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O homem que desdenhava as máquinas (Chuang Tse)

Um filósofo confucionista passeava com seus discípulos pelos campos do sul da China,
quando viu um camponês que molhava sua horta com um regador.

O filósofo perguntou-lhe por quê não usava uma bomba para este trabalho.
O camponês olhou-o e respondeu:

"Ouvi meu Mestre dizer que aqueles que usam engenhosos instrumentos
são espertos nos seus negócios.

Aqueles que são espertos nos seus negócios têm astúcia no coração.

Aqueles que têm astúcia no coração não o têm puro e incorrupto.

Aqueles cujo coração não é puro e incorrupto têm o espírito agitado.

Aqueles cujo espírito é agitado não são veículos convenientes para a Paz.

Não é que eu desconheça estas coisa, é que eu teria vergonha de usá-las".
Leia a íntegra desse conto, clicando aqui

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