desenredo, subst.
masculino -
ação ou efeito de
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Assunto: autoconhecimento e espiritualidade - Lançado em 3 de junho de 2017

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** Reflexões...

Whoever Knows their Self, Knows their Lord — An Explanation of the Oneness of Being
Awhad al-din Balyani – Sufi – Persia – 13th century
(Rendered from a translation by Cecilia Twitch)


Quem conhece o seu Ser, conhece o seu Senhor — Uma explicação da unicidade do Ser
Awhad al-din Balyani - Sufi - Persia - século 13

fonte: https://www.spiritawake.net/whoever-knows-their-self/

(20/nov/17)


O autor, místico sufi do século XIII, expõe sua visão da unicidade do Ser, em linguagem poética num texto denso e belíssimo, de grande profundidade.
Obs.: alguns trechos não consegui traduzir, então deixei como no original em inglês.


I know the Lord through the Lord
without doubt or uncertainty.

My essence is really His essence
without lack or imperfection.

There is no otherness between Us
and my self is the place where
the invisible appears.

Since I know myself
without mixture or blemish,
I have reached union with my beloved
without distance or closeness.

I have received a gift overflowing
without any giving or intermingling.

My self did not vanish in Him
nor does the one who vanished remain.

Eu conheço o Senhor através do Senhor
sem dúvida ou incerteza.

A minha essência é, na verdade, Sua essência
sem carência ou imperfeição.

Não há nenhuma diferença entre Nós
e o meu eu é o lugar onde
o invisível aparece.

Desde que eu me conheço
sem mistura ou mácula,
alcancei união com o meu amado
sem distância ou proximidade.

Eu recebi um presente transbordante
without any giving or intermingling.

O meu eu não desapareceu Nele
nem o que desapareceu permanece.



Leia mais alguns excertos dessa maravilhosa obra: Uma explicação da unicidade do Ser
 

Curto-circuito      (19/nov/17)

Ensina-me a glória da minha cruz, ensina-me o valor do meu espinho!
Mostra-me que é pela vereda da dor que tenho subido a ti.
Mostra-me que as lágrimas formam em minha vida um arco-íris."
(George Matheson, conhecido pregador cego da Escócia)

O texto intitulado "Mananciais do deserto", logo abaixo, revoluciona nossa maneira comum de pensar.
No entanto, a um leitor desatento, parecerá o elogio da dor.
Mas não é isso. Para esclarecer o que estou dizendo, precisamos ter em mente o significado do ego.
Vejamos um pequeno trecho do livro "O mal estar na civilização", de Freud:
(download do PDF nesta página, na seção de downloads no lado inferior esquerdo)

Normalmente, não há nada de que possamos estar mais certos
do que do sentimento de nosso eu, do nosso próprio ego.
O ego nos aparece como algo autônomo e unitário,
distintamente demarcado de tudo o mais.
Ser essa aparência enganadora – apesar de que, pelo contrário,
o ego seja continuado para dentro, sem qualquer delimitação
nítida, por uma entidade mental inconsciente que designamos como id,
à qual o ego serve como uma espécie de fachada...

A expressão "continuado para dentro" significa apenas que o ego provem do id, o inconsciente profundo de onde vem o desejo de viver e de realização incondicional do prazer, para o qual o ego "serve como uma espécie de fachada".

Acontece que, submetido às pressões do superego e ao "princípio de realidade" (onde a evitação da dor se sobrepõe à realização do prazer), o ego é obrigado a aceitar que deverá internalizar certo número de frustrações (donde o título da obra - O mal estar na civilização).

O fundamento do ego é o pensamento. Ora, no período de vigília estamos quase sempre pensando. Qual é o porquê de tanto pensar, senão a realização de desejos? Pois mesmo nossas preocupações e ansiedades se originam do desejo de que as coisas sejam do jeito que queremos.

Ao perceber-se como estrutura manipulada pelo desejo, o ego sensível se dá conta de sua inanidade, falta de substância. É aí que começa a vida religiosa. Pois, se meu ego (meu eu) não existe por si mesmo, e sim como uma mistura automática de pensamentos, desejos, sensações e emoções, então QUEM SOU EU?

Vemos aí a profundidade do texto, pois a convivência com a dor pode depurar o ego de pesada herança de uma inconsciência ancestral (que nada tem de espiritual, pois representa o desejo de realização incondicional de desejos sensoriais, sobretudo de satisfação sexual) — inconsciência essa que adere à sua identidade adquirida no mundo.

Esse é o curto-circuito do título acima:

Ensina-me a glória da minha cruz, ensina-me o valor do meu espinho!

Mananciais no Deserto - Lettie Cowman       (4/nov/17)

Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades,
nas perseguições, nas angústias, por causa de Cristo.
Porque quando sou fraco, então é que sou forte (II Cor. 12:10)


"Aqui está o segredo para experimentarmos a suficiência de Deus:
chegar ao fim de nós mesmos e dos nossos recursos.

Quando chegamos a esse ponto, paramos de pedir a compaixão dos outros pela nossa situação
ou pelo tratamento que recebemos, pois reconhecemos nas circunstâncias
as próprias condições de bênção,
e nos voltamos delas para Deus.
Vemos nelas uma oportunidade para lançar mão das suas promessas." — A. B. Simpson

George Matheson, o bem conhecido pregador cego da Escócia, disse certa vez:

"Meu Deus, eu nunca te agradeci por meu espinho. Muitas vezes
te agradeci por minhas rosas, mas nem uma vez por meu espinho.

Sempre sonhei com um mundo onde obterei a compensação pela minha cruz,
mas nunca pensei em minha cruz como sendo, ela mesma, uma glória presente.


Ensina-me a glória da minha cruz, ensina-me o valor do meu espinho!
Mostra-me que é pela vereda da dor que tenho subido a ti.
Mostra-me que as lágrimas formam em minha vida um arco-íris."
 

É elitista o ensino de Krishnamurti?      (30/out/17)

Krishnamurti é um criador, um mestre do autoconhecimento. Seu ensino tem influenciado inúmeras pessoas em todo o mundo. Escreveu dezenas de livros e proferiu centenas de palestras em vários países, particularmente nos Estados Unidos, Inglaterra, Suiça e Índia. Ele debateu temas religiosos com as maiores inteligências do mundo atuantes em diversas áreas, incluindo líderes religiosos e alguns prêmios Nobel, sendo sempre ouvido respeitosamente.

Foi apontado como o "Instrutor do Mundo" pela Sociedade Teosófica mas rejeitou o papel messiânico que lhe impingiram. Mas o fato é que muitos dos instrutores espirituais de nossos dias beberam na fonte de seus ensinamentos, embora nem todos o admitam publicamente. Seu ensino apresenta desde conceitos simples de entender até outros de difícil entendimento e até polêmicos, o que levanta a pergunta: será elitista o ensino de Krishnamurti?

Veja algumas de suas ideias, colocadas de maneira livre:
  • O "eu" é um feixe de memórias, sensações e desejo de vir a ser
  • Tempo psicológico: é uma invenção da mente, ou seja, uma criação do pensamento em seu propósito de vir a ser, e tem por objetivo preservar o "eu".
  • O pensador é o pensamento; o pensamento gera o pensador para alçar-se a níveis mais altos, visando obter permanência.
  • O controlador é o controlado
  • A consciência é o conteúdo da consciência
  • As emoções são geradas pelo pensamento, memória, lembranças; o medo, por exemplo, resulta da interpretação que a mente faz de um certo fenômeno.
  • O Amor não tem relação com o pensamento
  • O ente humano não é um indivíduo, porquanto sua mente é a mesma de qualquer outro ente humano — uma história de medo e condicionamentos, desejos e frustrações, perseguição do prazer e fuga da dor.
E assim por diante. Questionado se esse ensino é para todos ou apenas para alguns, ele responde:

— "É para qualquer pessoa que esteja atenta, que questione, que investigue, que tente entender toda essa horrível confusão da vida."


Certamente não é um ensino simples, ao contrário, exige muita perseverança e amadurecimento, e só lentamente revela com clareza seu profundo significado em nosso entendimento. Mas vale totalmente cada minuto dispendido seriamente nele.

Quanto ao suposto elitismo de sua mensagem, sem dúvida ela exige uma mente sã, que queira aprender sobre si mesma e descobrir o porquê de seu sofrimento psicológico, emocional. Mas, quantos têm esse interesse profundo, vital, radical?

Para todas as exterioridades nós achamos tempo, temos interesse; para futebol, shows, todos os tipos de distrações, achamos tempo e dinheiro para investir.

Vejam quantos dedicam tanta atenção ao CELULAR e seus recursos e aplicativos, que os apaixonam e alienam de si mesmos. Para isso não falta tempo nem interesse! As dificuldades no aprendizado das técnicas ali utilizadas são facilmente transpostas! Mas, quando se fala em autoconhecimento e espiritualidade, muitos "acham difícil".

Ora, hoje em dia há inúmeras palestras legendadas de Krishnamurti no Youtube, que podemos assistir gratuitamente. Ali poderemos ver que, quando K. faz uma palestra, que muitas vezes é transformada em livro, ele usa palavras em inglês as mais simples, falando pausadamente, para todos entenderem.

Por isso, não creio que possamos falar em elitismo, embora seu ensino exija empenho, interesse, paixão.

Leia mais... O ensino de Krishnamurti
 

Separar o grosso do fino      (29/out/17)

Dispomos de liberdade interior, em algum grau?
Quando os pensamentos disputam entre si e alguns deles se afirmam em meio a conflitos e discussões internas, algo parece aceitar aquilo que se afirma; seria o nosso "eu".

Em outro momento, porém, outros pensamentos são vitoriosos e, novamente, nosso "eu" os aceita,
embora totalmente opostos! Na base desse eu tão contraditório, há algo extremamente maleável,
ao qual não parece importar em absoluto a "verdade atual" de nossa mente.

Essa é a base de tudo: aquele ou aquilo que está consciente de nossas experiências,
de momento a momento, em nossa jornada pelo mundo.

Pensamos que a sabedoria consiste em fazer boas escolhas mentais, pensar bons pensamentos e conseguir boas consequências — mas nos esquecemos por completo de voltar a atenção ao fator "estar consciente", que está na base de cada pensamento, sensação, emoção ou julgamento.

É ali, no entanto, nAquele ou nAquilo que conhece qualquer experiência ou escolha
sem se envolver em juízos sobre ela, que está a liberdade; não na escolha feita, a qual
em breve revelará consequências boas e ruins (é o que acontece com toda escolha).

A liberdade não está no ato de escolher e nem na escolha feita,
mas naquilo que as torna possíveis, que está sempre presente,
não emite quaisquer juízos, não condena nem absolve,
aquilo que nunca muda e, na verdade, é idêntico para todos nós.

Libertação, então, é SER UM com essa Presença que não pensa nem deseja nem julga,
mas que é engolfada pelo desejo e pelo pensamento — constituindo o "eu pessoal", que nos escraviza. É por isso que se diz:

"a diferença entre o sábio o tolo é mais fina que um fio de cabelo".

E também:
"Espiritualidade é saber separar o grosso do fino".

 
 

Involução e Evolução       (22/out/17)

O mecanismo ou dinâmica da evolução do pó ao divino é, sem dúvida, muito complexo.
É possível que da poeira de estrelas surja a vida?
Como se dá a descoberta de algo novo? a teoria da relatividade, por exemplo?
E as descobertas da teoria quântica?

Como é possível que uma coisa tão minúscula como o cérebro humano
torne-se a antena que capta o desconhecido e decodifica a Natureza?

Ler o texto abaixo poderá clarear esse espinhoso assunto, pela ótica de Ken Wilber:
A grande cadeia do Ser
 

Nossos pensamentos são mesmo nossos?      (14/out/17)

Parece estranha essa pergunta. Mas a verdade é que, antes de respondê-la, precisamos responder outra:
"Nossos de quem?"
Ou seja, com quê nos identificamos? Se você se identifica com a mente-cérebro, a resposta é SIM, pois
na consciência de ego, o "eu" se identifica com seus conteúdos e aprendizagens,
pensamentos, julgamentos, sensações e emoções.

Leia mais.. Nossos pensamentos são mesmo nossos?.

 

A origem do ego, segundo a filosofia Hindu (09/out/17)

"Púrusha é o espírito, a consciência pura que observa os fenêmenos através da mente-cérebro.
Essa mente se encontra impregnada de Púrusha mas não o percebe,
gerando assim o observador pessoal (consciência de ego),
com seus canais sensoriais, seus pensamentos, julgamentos, sensações e emoções."


Leia mais... A raiz do sofrimento
 

Não engula o falso como verdadeiro (07/out/17)

Assim como toda identidade adquirida é falsa, temporária, apenas um rótulo operacional ou psicológico para um conjunto de hábitos e aprendizagens, assim também nossas emoções e convicções intelectuais não passam de máscaras com as quais a consciência se esconde de si mesma

Não haverá liberdade interior enquanto não contemplarmos nossa face nua, como no extraordinário conto "O louco", de Khalil Gibran.


Fazer coisas inúteis... (28/set/17)

Você já experimentou dar o melhor de si, toda a sua atenção e carinho em alguma atividade inútil e não lucrativa? Então, nossos semelhantes simplesmente não se interessam por ela. Fica totalmente não reconhecida.
Mas não estou falando de um hobby, pois neste sua atenção se dissipa em coisas exteriores, alheias a seu espírito.

     Limpar uma praça pública uma hora por semana,
sabendo quem em poucos minutos já estará suja de novo...

     Derramar seu coração em poemas que não serão lidos...
     Simplesmente olhar o encanto de uma flor perfumosa,
vendo as abelhas dançando a seu redor...

     Ir andando numa calçada e, de repente,
sem que nem porque, parar e olhar para trás...


Fazer coisas assim, sem quê nem porquê mas com toda atenção tem um toque de presença, um sabor de liberdade. Mas as pessoas que passam a vida toda como autômatos, fazendo coisas sem amor nem presença, somente por obrigação, dinheiro ou conveniência, talvez achem que isso é um absurdo, que você é louco...

E você continua fazendo, ainda com mais consciência, sabendo que é uma pequena pérola, porque é a presença pura do espírito...


Acreditar nos pensamentos? (25/set/17)

É claro que o pensamento tem um lugar importante na mente, quando ele é técnico, objetivo.
Mas não quando ele se apossa de nós, quando assume nossa identidade.

Em outras palavras: devemos "não acreditar" nos pensamentos e julgamentos de natureza
emocional ou psicológica, pois além de serem intrinsecamente limitados e parciais,
e conterem uma boa dose de exageros e falsidades,
ao acreditar neles (re)criamos e mantemos a ilusão da identidade separada.
 
 
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  Ouça músicas...
                        1º CD - Valsas, chorinhos e canções            2º CD - Em cada canção que eu faço
                        3º CD - Passeio Musical                             4º CD - Contemplação

(Som testado nos navegadores Google Chrome e Mozilla)

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     ☼☼☼ Morrendo antes de morrer                       ☼☼☼ Viver no espírito de finitude                       ☼☼☼ Preparar-se a cada momento

 
Estou ciente de minha finitude, e de todos com quem me relaciono. Sei que nada restará, a não ser um punhado de cinzas.
Sei que a morte é inevitável e pode chegar a qualquer momento, trazendo o final de minhas preocupações e ansiedades e do vão movimento do pensar em busca de felicidade e segurança.
Por isso, trago para este momento aquela hora final, para vivenciar conscientemente o estado da mente que não tem um amanhã — morrendo, então, antes de morrer.
 
Viver no espírito de finitude (a grande realidade da vida) quebra a continuidade do ego e nos liberta do medo.
Atenção! Isso não quer dizer que não se possam exercer ações que apontem para o futuro, como plantar uma árvore ou marcar um compromisso. Refiro-me ao sentido psicológico, a parar de fugir das feridas emocionais e de "dar tratos à bola" procurando felicidade e segurança num futuro... incerto.
Isso traz uma grande serenidade e o sabor do silêncio, pois a mente se aquieta quando não tem um amanhã para vir a ser, para uma apenas suposta e imaginária autorrealização entre os impermanentes e ilusórios objetos do mundo.
A meditação da finitude pode ser feita a qualquer momento e nos livra dos pensamentos ociosos, inúteis e supérfluos.
 
Estar preparado para morrer... é estar, a cada momento:
** livre do mundo emocional e suas cadeias...
** livre do desejo de autorrealização psicológica no decurso do tempo...
** e, principalmente, estar em comunhão consciente com nossa própria natureza mais profunda, silenciosa, pacífica e sem conteúdos — a semente da Consciência Divina em nós.
abc
O despertar da consciência mística A união consciente com Deus
Diálogo de UG com Ramana Maharshi Alegoria da Caverna de Platão
Desenredo - de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro As aparências enganam - de Sérgio Natureza/Tunai
Diálogo de Milinda e Nagasena
Profunda reflexão sobre a vacuidade de todas as coisas
Os venenos da mente
Os dois pássaros
Belíssima alegoria de Rabindranath Tagore sobre o apego a algemas
Os princípios do Budismo
O sabor do Zen - Taisen Deshimaru Krishnamurti: Sobre a Educação
Krishnamurti: Sobre a Dúvida  O mito de Pandora
"Entrevista" com Fernando Pessoa Contos Zen - Daniel Law
O caso dos cinco macacos Budismo-Psicologia-Do-Auto-Conhecimento - Dr. Georges da Silva e Rita Homenko - "Download grátis"
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 Diálogo de UG com Ramana Maharshi

O Bhagavan, um homem sereno, da maior sabedoria e integridade, não poderia causar uma impressão mais forte no jovem U.G.

Ele raramente falava àqueles que dele se aproximavam com questões. U.G. aproximou-se do mestre apreensivamente, fazendo-lhe três perguntas:

"Existe uma coisa chamada iluminação"?, perguntou U.G.

"Sim, existe", respondeu o mestre.

"Existem nela quaisquer tipos de níveis?"

O Bhagavan respondeu: "Não, não há níveis. É uma coisa só. Ou você está ali ou não está absolutamente."

Finalmente, U.G. perguntou: "Essa coisa chamada iluminação, você pode me dar?"

Olhando o sério jovem bem nos olhos, ele respondeu:

"Sim, eu posso lhe dar, mas você pode pegar?"

Daí em diante, U.G. ficou obcecado por essa resposta e implacavelmente começou a perguntar a si mesmo:

"O que é isso que eu não posso pegar?"

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Desenredo
de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro


Por toda terra que passo
me espanta tudo o que vejo
A morte tece seu fio
de vida feito ao avesso
O olhar que prende anda solto
O olhar que solta anda preso
Mas quando eu chego eu me enredo
Nas tramas do teu desejo!

O mundo todo marcado
a ferro, fogo e desprezo
A vida é o fio do tempo,
a morte é o fim do novelo
O olhar que assusta anda morto
O olhar que avisa anda aceso
Mas quando eu chego eu me perco
Nas tranças do teu segredo.

Ê Minas, Ê Minas, é hora de partir, eu vou...
Vou-me embora prá bem longe (bis)

A cera da vela queimando
O homem fazendo seu preço
A morte que a vida anda armando
A vida que a morte anda tendo
O olhar mais fraco anda afoito
O olhar mais forte indefeso
Mas quando eu chego eu me enrosco
Nas cordas do teu cabelo.

Ê Minas, Ê Minas, é hora de partir, eu vou...
Vou-me embora prá bem longe...

Clique para ouvir essa linda canção (via Youtube)

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As aparências enganam
de Sérgio Natureza/Tunai - gravada por Elis Regina


As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões.
Os corações pegam fogo e, depois, não há nada que os apague...
Se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno e o pão,
o vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão,
sonhos vividos de conviver...

As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões.
Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele...
Se a neve, cobrindo a pele,
vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer,
não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer,
senão chorar sob o cobertor...

As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno...
Mas o verão que os unira,
ainda vive, e transpira ali

Nos corpos juntos na lareira...
na reticente primavera...
No insistente perfume
de alguma coisa chamada amor...


Ouça essa linda canção com Elis Regina (via Youtube)

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O homem que desdenhava as máquinas (Chuang Tse)

Um filósofo confucionista passeava com seus discípulos pelos campos do sul da China,
quando viu um camponês que molhava sua horta com um regador.

O filósofo perguntou-lhe por quê não usava uma bomba para este trabalho.
O camponês olhou-o e respondeu:

"Ouvi meu Mestre dizer que aqueles que usam engenhosos instrumentos
são espertos nos seus negócios.

Aqueles que são espertos nos seus negócios têm astúcia no coração.

Aqueles que têm astúcia no coração não o têm puro e incorrupto.

Aqueles cujo coração não é puro e incorrupto têm o espírito agitado.

Aqueles cujo espírito é agitado não são veículos convenientes para a Paz.

Não é que eu desconheça estas coisa, é que eu teria vergonha de usá-las".
Leia a íntegra desse conto, clicando aqui

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