Fair play
J.C. Cavalcanti - 16/06/06
Em meados de maio deste ano, a selecão inglesa realizou um amistoso contra a seleção da Irlanda, ultimando os preparativos para a Copa do Mundo da Alemanha.

Com equipe nitidamente superior, esperava-se uma vitória tranqüila da Inglaterra. Ao mesmo tempo, o goleiro Brown, de 35 anos, indo para sua terceira Copa do Mundo, completaria cem jogos com a camisa do selecionado inglês.

As torcidas rivais - representando povos com divergências históricas, que cederam nos últimos anos - lotavam o estádio de Dublin, onde se realizaria o jogo.

Iniciada a partida, o time inglês dominava taticamente a brava seleção irlandesa, e finalizava seguidamente com perigo contra o gol adversário, esperando-se para muito breve a abertura do placar.

No entanto, um lance fortuito mudou tudo. Ao cobrar um tiro de meta, Brown sentiu uma distensão na perna direita e caiu ao chão, com a bola indo aos pés do atacante irlandês Mc Kennit, que ficou frente ao gol vazio.

Perante uma platéia atônita, Mc Kennit não teve dúvidas: chutou a bola para a linha de fundo, rente ao pau da bandeira de escanteio. Os demais atacantes irlandeses correram para ele e o abraçaram festivamente, como se houvesse marcado o gol da vitória em uma disputa de finais.

A seguir, correram todos para socorrer Brown, que, contorcendo-se em dores, chorava emocionadamente, não acreditando no que via.

Durante vários minutos, o grande público presente aplaudiu de pé, entre risos e lágrimas, a cena inédita.