CONTOS ZEN
Daniel Law

A montanha

Após subir uma grande montanha, coberta por milhares de árvores de todas as cores do outono, um menininho chegou ao céu e bateu na imensa porta.

Após algum tempo, surgiu São Pedro, que perguntou-lhe:

- O que deseja, meu menino?

- Quero entrar no Céu, Sao Pedro.

- Um momento, respondeu Sao Pedro, vou falar com Deus.

Dito isso, fechou novamente as portas e afastou-se. Passado certo tempo, voltou e disse ao menino:

- Expliquei o seu caso a Deus e Ele disse que somente quando caírem todas as folhas de todas as árvores que você vê ao seu redor, por tantas vezes quantas forem o total das folhas neste momento, somente então é que você poderá entrar no Céu!

O menino sentou numa pedra, sob uma linda árvore de folhas alaranjadas e olhou em torno, desconsolado, pois obviamente tratava-se de uma tarefa impossível. Quando São Pedro já ia fechando de novo as portas do Céu e sumindo lá dentro, o menino chamou-o com urgência.

O velho virou-se e perguntou:

- Que foi agora, meu rapaz?, perguntou ao menino, ainda sentado na pedra.

- Olha, São Pedro, disse o menino apontando para o chão - diga a Deus que a primeira folha já caiu.

O Burrinho preguiçoso

Um fazendeiro tinha um burro que não queria trabalhar. Ele estava bem, comia bem, era forte, mas simplesmente recusava-se a trabalhar! Então o fazendeiro foi a seu vizinho, um outro fazendeiro seu amigo, e contou-lhe o caso. Este lhe disse:

"Você deve tratá-lo com amor e compaixão"

"Amor e compaixão!", disse o outro.

"Sim, isso faz maravilhas".

O fazendeiro voltou para casa e seguiu o conselho do amigo. Duas semanas depois, acabou encontrando o vizinho, que lhe perguntou:

"Como está o burro"?

"Continua o mesmo, não quer trabalhar - o que você sugeriu não adiantou nada".

"Deixe-me vê-lo", disse o vizinho.

Foram encontrar o burro mais adiante, no estabulo. O vizinho pegou uma varinha, aproximou-se do burro e quebrou-a de repente na cabeca dele com uma forte pancada.

"Mas você disse que precisamos trata-lo com amor e compaixão!", disse o fazendeiro.

"Sim", respondeu o vizinho, "mas primeiro você precisa chamar a atenção dele".

Duas respostas para a mesma pergunta

Havia um velho parado, sentado em baixo de uma arvore, num dia de sol quente. Essa arvore ficava num caminho que ligava duas cidades.

A certa altura, chegou um moço, vindo de uma dessas cidades, e disse ao velho:

"Aquela cidade de onde eu venho é horrivel, as pessoas sao mal-humoradas, e não se consegue encontrar trabalho. Vou indo para essa outra, o senhor a conhece?"

"Conheco", disse o velho,

"Como é ela?", indagou o moço.

"Ela é horrivel", respondeu o velho, "as pessoas nao gostam de estranhos, e além disso não se consegue encontrar trabalho por ali".

E o rapaz seguiu seu caminho, desconsolado.

Dali a pouco, surgiu outro moço, vindo da mesma cidade do primeiro, e disse:

"A cidade de onde eu venho é maravilhosa, todos me tratavam bem, arrumei emprego ali com facilidade e sentia-me muito feliz. Mas agora quero conhecer mais o mundo, e vou para aquela outra cidade. O senhor a conhece?"

"Conheço", disse o velho, "É um belo lugar, as pessoas de lá são muito simpáticas, e encontra-se trabalho com facilidade por lá".

E o moço seguiu seu caminho, cantando.

Os contos acima estão no livro
“A prática Zen e o autoconhecimento” de Daniel Law

Voltar