Dirk Gehrard Petzsch - Será que o sofrimento continua?



Q.: O que vem após da realização que não existe um ‘eu’ separado? Parece que ainda há todos os problemas e traumas não resolvidos, que puxam as cordas por trás das cenas. Parece que, enquanto eu ainda não tenho penetrado o coração das minhas feridas para curá-las, o sofrimento ainda continua!

R.: Depois de enxergar “não eu”, a vida continua a apresentar as oportunidades para reconhecer a realidade de ‘não eu’ e ‘VER NITIDO’ em ação – ou seja, no meio de todos os tipos de ‘dados’ (experiências, estados, pensamentos, percepções, sensações, emoções, pessoas, coisas, lugares, etc.) – incluindo aqueles percebidos como “aflitivos”.

Não temos de procurá-los para lidar com eles; eles vão encontrar nos – ou, mais precisamente, eles simplesmente vão surgir. Se quisermos dar um significado para este “processo”, poderíamos dizer ‘para que eles possam ser resolvidos’…

MOMENTO a MOMENTO há esta oportunidade para o reconhecimento nítido, que todos os dados são essencialmente iguais na sua natureza – todos eles surgem e desaparecem espontaneamente (sem ninguém aqui ou ali para gerenciá-los) – e eles não afetam de forma alguma, a Presença ou Consciência, que – inegavelmente e inseparavelmente – TAMBéM está presente.

Assim, a vida (o único guru que você precisa) simplesmente continua oferecendo oportunidades para o VER NITIDO. Na verdade, tudo o que surge é esta oportunidade. Nosso sofrimento, em primeiro lugar, é a tendência residual de resistir ao que é. Este resistir tem sido o nosso tentar gerenciar as nossas experiências – evitando algumas, agarrando-se em outras – que é exatamente a energia que as mantém ‘viva’ e girando: nada pode existir sem energia!

O que está sendo reconhecido, é que existe um outro jeito: podemos relaxar no fluxo da vida e permitir que tudo seja como é; como vai e vem. Conceitos que foram sugeridos em relação a isso, como ‘aceitação’, ‘não-resistência’, ‘entrega’ ou ‘equanimidade’, não são estados para serem cultivados — eles surgem espontaneamente e de forma natural do VER NITIDO.

No final, não é que o VER NITIDO é tudo o que realmente há?

É provável que em algum momento vamos perceber que os ‘estados aflitivos’ começam a perder o seu aperto e a sua carga, e que eles parecem de não durar por tanto tempo. A vida vai continuar a apresentar essas oportunidades — liberando e resolvendo todas as energias. Não há como sair fora disso — então por que não desfrutar do "show"?

Chega um ponto nisso em que realmente não podemos mais falar em termos de ‘há sofrimento’ (fazer isso seria apenas uma forma ultrapassada de olhar), porque tudo simplesmente é o que é. E, mesmo se a idéia de sofrimento surgir, ela é simplesmente visto pelo que ela é – apenas uma idéia. O rótulo ‘sofrimento’ é visto como vazio. E a vida apenas está acontecendo.

”Há apenas uma misteriosa compreensão tácita e nada mais” – Huang Pó


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