CALENDÁRIOS - parte I 
Luiz Roque - professor, poeta e escritor  
Artigo escrito em junho/1995 para o jornal "Nova Opção"

1. As estações

As estações do ano sempre foram importantes para os povos antigos, em função da agricultura (semeadura e colheita), que se ligava às épocas de chuva e de seca. Elas eram também fundamentais para que as coletividades preparassem os seus recursos, visando às épocas de frio ou de calor, de paz ou de guerra, sendo que as guerras foram sempre mais frequentes do que a paz.

Na antiguidade remota, todos os povos tiveram calendários lunares, isto é, baseados no movimento da lua ao redor da terra. Daí a importância que, até hoje, se atribui à lua, no que se refere a plantações, colheitas, cortes de árvores, partos e, mesmo, perigos dos eclipses, embora, comprovadamente, só se saiba da influência da lua sobre as marés e... sobre os namoros.

A lua dá uma volta em torno da terra em pouco mais de 27 dias, mas, como nesse período, nosso planeta também se desloca, a "lunação" completa resulta em 29 dias e 2 horas.

Porém, os anos lunares dos antigos, em geral não correspondiam, com exatidão, aos ciclo das 4 estações.

Mas como podiam eles estabelecer as estações com certa precisão?

Pela medida do tempo: o primeiro dia da primavera e o primeiro dia do outono correspondem, precisamente, a uma noite de duração idêntica ao dia.

Esses dois dias do ano são chamados "equinócios".

O primeiro dia do verão corresponde ao dia mais longo, e, portanto, à noite mais curta, enquanto que o início do inverno é exatamente o contrário.

Esses dois dias do ano são chamados "solstícios".

Portanto, o ano tem o equinócio da primavera, o equinócio do outono, o solstício do verão e o solstício do inverno.

Quando, no nosso hemisfério sul, há o equinócio da primavera ou o solstício de verão, no hemisfério norte ocorre o oposto. Esses dias iniciais das estações variam ligeiramente de ano para ano, mas estão sempre entre os dias 21 e 23.

Uma vez que os anos lunares não correspondem às 4 estações, o avanço do conhecimento exigiu que os calendários tivessem de ser, aos poucos, aperfeiçoados, para coincidir com o ano solar.

2. O calendário juliano

Entre os romanos o primeiro calendário é atribuído ao seu primeiro rei lendário, Rômulo, que teria reinado de 753 a 715 a.C. Ele considerou o ano como tendo 300 dias e os dividiu em 10 meses de 30 dias.

Seu sucessor, o rei lendário Numa Pompílio, que teria reinado entre 714 e 671 a.C., procurou compatibilizar o calendário com o ano solar. Ele teria acrescentado dois meses de 30 dias no início do ano: janeiro e fevereiro.

Assim, os meses avançaram duas unidades. Por isso é que temos: Setembro, cujo nome lembra sete, como mês nono. Outubro, que se refere a oito, como mês décimo. Novembro (nove) como mês onze. Dezembro (dez) como mês doze.

Esse calendário de 360 dias permaneceu até 46 a.C., em Roma. Nesse ano, o cônsul Júlio césar chamou o astrônomo egípcio Sosígenes, de Alexandria, e mandou-o aperfeiçoar o calendário. Sosígenes criou o ano de 365 dias, atribuindo a cada mês o número de dias que conhecemos hoje.

Estabeleceu o bissexto a cada quatro anos, com o dia 29 de fevereiro. Esse calendário foi chamado juliano. O mês julho tem seu nome em homenagem a Júlio César.

Mais tarde, o oitavo mês foi chamado agosto, em homenagem a Otávio Augusto (63 a.C. - 14 d.C.), general de César e primeiro imperador romano.

3. O calendário Gregoriano

O calendário de César e Sosígenes estava muito próximo do ano solar. Mas ainda tinha erro: o ano do calendário era um pouquinho mais longo que o ano solar, o ano verdadeiro. Dava um atraso de 7 dias a cada 900 anos.

Quando se chegou ao ano de 1582, o atraso já estava em dez dias. Nesse ano, o equinócio da Primavera (início da primavera) foi observado dez dias antes do que vinha registrado no calendário.

Havia que reduzir o ano do calendário, para coincidir com o ano-solar.

Então, o papa Gregório XIII, por recomendação dos seus astrônomos, estabeleceu que:

a) O dia 05 de outubro de 1582 passasse a 15 de outubro. Saltando-se 10 dias, o erro ficava corrigido.

b) Doravante, os anos seculares não mais seriam bissextos, exceto um a cada 400 anos.

Como saber, por exemplo que um ano qualquer é bissexto? Basta que os seus 2 últimos algarismos sejam divisíveis por 4.

Exemplos: 1904, 1912, 1940, 1996 (mas não 1937, porque 37 não é divisível por 4).

Como saber quando um ano secular é bissexto? Somente quando os 2 primeiros algarismos são divisíveis por 4. Exemplos: 1600, 2000, 2400, 2800 (mas não 1800, porque 18 não é divisível por 4).

Assim é, pois, o calendário gregoriano, sob o qual vivemos. Ele ainda traz um erro mínimo de um dia a cada 4000 anos.

Esse calendário não foi aceito em todo o mundo, mesmo no Ocidente. A Grécia e a Rússia (ortodoxas) e a Turquia (muçulmana) continuaram com o calendário juliano, até o início deste século.

Na sequência deste artigo, saiba como são estabelecidas as datas religiosas móveis e a origem dos nomes dos dias da semana, na língua portuguesa (segunda-feira, terça-feira, etc). .

(continua)

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