O ensino de J. Krishnamurti
             José Carlos Corrêa Cavalcanti - 31/out/17

A importância do autoconhecimento
"É a Verdade que liberta, não o seu esforço para tornar-se livre", diz K., e também: "O autoconhecimento é o começo da sabedoria". Para que ele exista, no entanto, há necessidade de "observar passivamente (sem escolha nem julgamentos) todos os pensamentos, impulsos, juízos, sensações e emoções que nos vêm a cada momento – apenas ficar ciente dos elementos da mente sem reprimir, justificar nem condenar".

O ensino de K. vai fundo na questão do autoconhecimento e contém, entre outras, as seguintes linhas mestras:

- A Verdade é uma terra sem caminhos (existe a Verdade, todavia não é alcançável pelo pensamento)
- O pensador é o pensamento (não há uma entidade pessoal permanente)
- Seja uma luz para você mesmo (não depender de ninguém)


Sua mensagem se caracteriza por:
1— Estudar e conhecer o relativo (nossa condição egocentrada) e suas contradições, nunca pretender ir para o Absoluto, o Desconhecido;
2— Ênfase em fatos e não em opiniões;
3— Não cultivar o automelhoramento, buscando o oposto psicológico de qualquer característica desagradável do "eu", pois a suposta mudança do atributo "x" para "não x" apenas poderá “mudar alguma coisa para continuar tudo do jeito que está”, ou seja, manter intocada a concepção do "eu" pessoal.
4— A verdade deve ser vista instantaneamente,e não como fruto da prática de nenhum método.


Veja um trecho da entrevista de K. a Bernard Levin (1981) – apenas os últimos 5 minutos – vídeo disponível na Internet:

K. — Qual é nosso condicionamento? Nós estamos condicionados pelo medo – que é comum a toda a humanidade – pelo prazer– que também é comum a toda a humanidade –, pelas nossas ansiedades, solidão, pela nossa desesperadora incerteza. Todos esses são fatores que condicionam a mente.

B.L. — E a gente pode simplesmente colocar tudo isso de lado?

K. — Não; você colocou a questão de maneira errada. Se nós enxergarmos as consequências de todos esses condicionamentos, — consequências: a dor, você sabe, tudo isso — naturalmente isso pára, sem que haja nenhuma entidade que diga: eu tenho que parar isso. Isso é Inteligência.

B.L. — E depois somos livres.

K. — Não. O que você quer dizer com "livre"?

B.L. — ... ver-me livre desses medos, ansiedades, desses desejos impossívels, vaidades...

K. — Sim, está certo. Isso é liberdade.

B.L. — Certamente parece assim para mim.

K. — A não ser que haja essa liberdade, você não pode ser uma luz para você mesmo. A não ser que haja essa liberdade, a meditação significa muito pouco.

B.L. — Veja, todo mundo pensa que é o contrário.

K. — Eu sei disso.

B.L. — Você reverte isso, não é?

K. — Mas isso é um fato.

B.L. — Nós pensamos nos sistemas, nos sistemas de crenças, na fé, no trabalho, como um meio de alcançar essa liberdade...

K. — A crença traz a atrofia ao cérebro. Se você continua repetindo, repetindo, repetindo... como eles fazem, seu cérebro fica atrofiado.

B.L. — Então só podemos fazer isso através de um grande saldo para a liberdade?

K. — Sim — que é ter um insight de tudo isso.

B.L. — Instantaneamente?

K. — Sim.

B.L. — E qualquer um pode fazê-lo?

K. — Qualquer pessoa que esteja atenta, que questione, que investigue, que tente entender toda essa horrível confusão da vida.

B.L. — Qualquer idade?

K. — Não, não (rindo) – claro que não. Um bebê não pode fazer isso, uma criança não pode.

B.L. — Mas temos que passar uma vida praticando?

K. — Claro que não! Isso está à espera de você.

B.L. — De todos nós?

K. — De todos nós.

B.L. — Obrigado, K.

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