Carnaval Triste 
A. Neves e Souza, poeta angolano.  
A poesia abaixo está publicada  noa coletânea "Mákua" - Publicações Imbondeiro
Sá da Bandeira, Angola   

A noite despida entoa 
negros cantos pelos cantos
do Muceque negro à toa
florido de desencantos...

Morrem de amor minhas mãos.  

Tarde, que tarde estamos!  
Nem vale a pena sonhar 
que a gente já sonhou o tudo... 
Resta apenas a brilhar
um eco triste de entrudo.

Mascarados - meus irmãos.

Olhai a lua que assoma
por cima dos cajueiros...
Vem fazendo negras tranças
dos meus longos desenganos...

E os meus vinte paus de prata
naquela mão de mendigo
são como o brilho da Lua
nas palavras que não digo.


(Batuque )


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