O RETRATO
Luiz Roque professor, poeta e escritor
A poesia abaixo está publicada em seu livro ┬ôVagas Luzes┬ö  

O Retrato

Para exprimir o que sinto
não encontro o termo exato.
Por que brilham os seus olhos?
Eu os vi, ainda há pouco,
não em você, no retrato.
Você chorou tantas vezes
e outras tantas riu, é fato.
Mas como brilham seus olhos,
que eu ainda há pouco via,
não em você, no retrato!

Eu me zanguei tantas vezes,
punindo-o por algum ato;
e cheguei, mesmo, a bater-lhe.
Mas seus olhos brilham tanto...
Vi-os agora, no retrato.
Brincando ingênuos folguedos,
em escaladas de gato,
você caía e feria-se.
No entanto, seus olhos brilham,
os seus olhos do retrato.

Não compreendo, não me acalmo,
vagueio insone, me abato.
Por que um brilho assim nos olhos,
conforme eu, há pouco via,
tão intenso no retrato?
Faz muito tempo que o quadro
foi feito e mantém-se intacto.
Você só tinha dois anos.
E vi, em seus olhos, o brilho
quase estranho no retrato.

Você iniciava a vida,
não sofrera ao seu impacto.
Eis por que seus olhos brilham.
Sabe, filho? Vi-os há pouco...
não os seus, os do retrato.  

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