Peregrinos do Êxtase
de Paulo Bomfim, grande poeta brasileiro
www.paulobomfim.com

Há pessoas que conhecemos, e outras que reconhecemos.
Nossa vida é permeada de encontros e desencontros.
às vezes, num estranho nos divisamos,
outras, estranhamos criaturas de nossa intimidade...

Há amigos cometas, que, em suas órbitas, surgem de vez em quando,
e há aqueles que são óperas que ouvimos,
atos monótonos à espera de uma ária que apreciamos...

Viajando, sentimos que certos lugares são familiares,
é como se, em vidas passadas, fossem habitados por nós.
No meio da multidão, somos ilhas
à procura de nosso Arquipélago.

Como é estranha essa lucidez
na demanda de um sonho!
E quando Aquele que nos sonha desperta, morremos.
Ah, esta sensação de nos sentirmos sonhados,
ou figurantes de um filme cósmico!

Certas mósicas são habitadas pela emoção,
dos que com elas se identificaram;
e alguns poemas nos falam de vozes que teimam em não silenciar...

Podemos também ser palavras na linguagem dos deuses,
e quando cessam de nos pronunciar,
partimos... ou simplesmente chegamos.
No porto, alguém nos espera, ou acena uma despedida.

E assim vamos caminhando...
Peregrinos do êxtase,
sofrendo da nostalgia do êxtase maior que nos criou.

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