O sabor do zen 

do livro "A tijela e o bastão" - 120 contos Zen
de Mestre Taisen Deshimaru.


Minagawa Shunzaemon, célebre poeta muito apegado à rima e adepto do zen, ouviu falar num famoso
mestre Zen, Ikkiu, chefe do templo de Daoitoku-ji, situado na região dos campos violeta.
Desejando tornar-se seu discípulo, foi visitá-lo. À entrada do templo, entabularam o diálogo.
Ikkiu perguntou:
- Quem és tu?
- Um budista, respondeu Minagawa.
- De onde vens?
- Da vossa província...
- Ah! ... e que tem acontecido ali nos últimos dias?
- Os corvos crocitam, os pardais chilreiam.
- E onde crês estar agora?
- Nos campos violeta.
- Por quê?
- As flores, essas glórias da manhã... o áster, o crisântemo, o açafrão...
- E quando murcham? - indagou o mestre Zen
- é Myagino [campo decantado pela beleza de suas flores no outono].
- Que acontece nesse campo?
- Ali flui o rio, varrido pelo vento.
 
Estupefato ao ouvir tais palavras, que tinham o sabor do zen, Ikkiu levou-o para seu quarto e ofereceu-lhe chá. Em seguida, compôs, de improviso, os seguintes versos:
 
"Um prato delicado eu te quisera dar,
Mas, ai de mim, o zen nada pode ofertar..."
 
Respondeu-lhe o visitante:
 
"O espírito que só pode oferecer-me o nada
é o vazio original
Iguaria delicada entre as mais."
 
Profundamente comovido, o mestre concluiu:
- Meu filho, aprendeste muito!!! 

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