Problemas de perda auditiva?
por Neila Rossi de Castro Lima e Hilda Cerminaro

O ouvido interno é dividido em duas partes, que possuem funções diferentes: os canais semicirculares, responsáveis pela manutenção do equilíbrio, e a cóclea, órgão da audição.

A cóclea é um caracol no qual há um líquido que se agita pela vibração sonora, colocando em movimento as células sensoriais ciliadas. Ao vibrarem, essas células geram impulsos que são captados pelo nervo auditivo e conduzidos até o córtex, onde são decodificados.

Na verdade, um pessoa escuta com o cérebro; o ouvido atua como um microfone transmitindo e amplificando o som. Mesmo no sono profundo, a capacidade auditiva permanece em alerta.

Todo o mecanismo, no entanto, sofre a ação do tempo, e a dificuldade em ouvir a fala de alguém se constitui numa das principais dificuldades auditivas experimentadas por pessoas idosas.

Há dados que indicam uma maior perda da audição em homens, o que pode estar relacionado a atividades profissionais mais barulhentas em indústrias. Por outro lado, não há dados que comprovem que o barulho normal das cidades grandes contribuam para a perda da audição. Nada confirma que proporcionalmente nessas cidades haja mais pessoas com perda de audição senil do que nas cidades pequenas ou no campo.

Sabe-se que mais de 50% da população, a partir dos 55 anos, começa a apresentar perda auditiva, fato esse que ocorre devido à deficiência de irrigação sangüínea na circulação terminal.

A perda da audição apresenta características próprias. Às vezes a pessoa apresenta comunicação normal, mas se queixa de zumbido no ouvido; outras vezes é a família que geralmente observa que o som da TV ou rádio está muito alto.Porém, nem sempre o zumbido no ouvido significa perda de audição. Pode aparecer em conseqüencia de uma infecção ou excesso de cera.

É aconselhável que a pessoa, ao perceber qualquer alteração na audição, procure logo um médico especialista para uma avaliação, pois quanto antes for diagnosticada a perda auditiva, menores serão os prejuízos, e havendo tratamento adequado, há possibilidade de se estabilizar o quadro.

Muitas pessoas apresentam problemas auditivos anteriores, que se somam ao envelheci-mento. Esses podem ser: condutivos, neuro-sensoriais ou mistos.

Os distúrbios condutivos podem ser causados por otites ou rompimento da membrana, quando não tratados adequadamente, ou por problemas ósseos. Os distúrbios neuro-sensorias podem ser causados por alterações metabólicas (tireóide, ácido úrico, diabetes), alterações cárdio-vasculares e hipertensão, perdas induzidas por ruídos, ou uso de medicação ototóxica, como alguns antibióticos e diuréticos.

A perda auditiva causada pelo envelhecimento (presbiacusia) exige que o estímulo auditivo tenha um maior tempo para chegar às vias cerebrais. Ouvir sons não é difícil, mas a dificuldade em entender as palavras ocorre porque estas têm sons mais elaborados.

As queixas mais freqüentes que acompanham as dificuldades de audição são:

a) zumbido no ouvido

b) entender a fala das pessoas quando existem ruídos no ambiente, como por exemplo a televisão ligada;

Como consequëncia das queixas apresentadas, a pessoa idosa chega muitas vezes ao isolamento e à depressão.

Reabilitação através de aparelhos auditivos

O uso de aparelhos de amplificação sonora individual muitas vezes é a melhor indicação e, hoje em dia, a tecnologia está muito avançada quanto à estética e design moderno, cada vez mais discreto e anatômico, e sobretudo quanto à qualidade acústica. Porém essa indicação deve ser feita de acordo com o perfil audiológico de cada pessoa, isto é, tipo e grau da curva auditiva.

A indicação adequada deve ser feita a partir de um diagnóstico diferencial do médico otorrinolaringologista e de uma avaliação audiológica feita pelo fono-audiólogo. A adaptação do aparelho de amplificação sonora é minuciosa e não pode ser feita sem auxílio de um profissional especializado. É necessário aprender a ouvir de uma forma diferente, portanto deve ser feito um trabalho de reabilitação auditiva.

O aspecto emocional do paciente (psico-acústica) precisa ser levado em conta. Há pessoas que conseguem pleno sucesso na recuperação da audição, outras nas mesmas condições recuperam apenas 20% da audição com o uso de aparelhos, porque inconscientemente se recusam a ouvir.

Os tipos de aparelhos mais usados são: intracanal e retroauricular, sendo mais indicado o primeiro. O aparelho é composto de microfone, amplificador e alto-falante. A regulagem será feita com acompanhamento temporário e sistemático, para o bom ajuste do aparelho, e pode ser feita manualmente ou através de computador, no caso dos aparelhos programáveis digitalmente.

Mas é preciso ter cuidado na hora da compra, quando o aparelho não é de boa qualidade pode causar danos maiores à pessoa, por isso é fundamental que se procure um profissional experiente para que a indicação seja adequada.

Esperamos que o presente artigo contribua para elucidação de algumas dúvidas sobre esse assunto, que, sem dúvida, interessa a muitas pessoas. Essa matéria foi originalmente publicada na revista Via Vida, na edição de número 6 (ano II) - abril/1998.

 

Voltar