Amélia Veiga:
   Dois novos poemas (inéditos) 

Amélia Veiga, poetisa Angolana de origem Portuguesa, viveu em Angola durante 24 anos, exercendo a atividade de professora na Escola Industrial e Comercial Artur de Paiva e no Instituto Comercial de Sá da Bandeira/ Lubango.

Publicou os seguintes livros de poesia : "Destinos" em 1962; "Poemas" em 1963 e "Libertação" em 1974 . Foi distinguida, entre outros, com o prêmio de poesia "Fernando Pessoa" da Câmara Municipal de Sá da Bandeira, atribuido ao seu livro "Poemas".

É reconhecida como uma das pioneiras da poesia de intervenção social em Angola (antes da independencia) a sua poesia está incluida em diversas Antologias publicadas em Angola, Portugal, Brasil, Espanha, Inglaterra e EUA.

Atualmente, reside em Portugal e tem para publicação o livro "As Lágrimas da Memória",
a que pertencem os poemas "Africa Breve" e "Africa Minha". 

África breve
                                                                      a Alice

África breve,
Quebrar de onda,
Sussurro de vento,
Estrela cadente,
Roçar de asa,
Mágico momento
Na eternidade do meu tempo,
Chão e casa ...
Leite e mel,
A terra prometida,
Espaço doce-amargo
No universo vazio
Da minha vida...

Apodreceram as sementes
Do amor que plantei
Na raiva lavrada do teu ventre...
Não era o lugar e nem a estação
Para a colheita apetecida ...
Era o trágico momento
Da sangrenta vitória
Do ódio sobre a vida,
Da dramática contradição
De ser e não ser da tua gente
E da renúncia assumida
Nas marés da História...

África breve,
Redimida,
Transcendida
Nas lágrimas da memória...

 

Voltar

 

África minha 
                                                                     a Vivalda

No chão exuberante
Do teu corpo
Que acariciei num êxtase
De amor e mágoa,
Que cheiro
que marca
Que sentimento
Ficou de mim ?
Que sussurro, canto, grito
Regressa de mim
Na voz do vento
E despenteia o capim
Nas anharas,
Dança na folhagem
Das matas,
Arrepia a face líquida dos rios ?

Que passos
Gemem o meu nome
No asfalto das ruas ?
Que memórias escorrem
Nas paredes
Das casas onde vivi ?
Que mãos
Retêm o calor
Dos afectos que partilhei ?
Que olhos projectam no vazio a minha imagem ?

África minha
Que cheiro,
que marca,
Que sentimento
Te ficou de mim ? 


Voltar

 

 

Homepage