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O
bissexualismo greco-romano - parte 1
Em 371 a.C., em Leuctras, o exército de
Tebas derrotou o de Esparta(Lacedemônia), cidade-estado que vivia para a guerra
e que, por mais de um século, dominara o Peloponeso.
O exército tebano, organizado por Pelópidas
e Epaminondas, possuía cerca de 6000 soldados(incluindo os aliados pouco
confiáveis da Beócia), enquanto que os espartanos e aliados tinham cerca de
10000.
Mas, além das alterações de tática militar,
a tropa de Tebas contava, desde os princípios do século IV a.C., com uma
guarnição de elite, que era o seu trunfo: o Batalhão Sagrado, formado por 150
pares de amantes, num total de 300 combatentes(wikipédia-Batalla de Leuctra)!!
Em seguida, os tebanos invadiram a
península do Peloponeso e a libertaram dos lacedemônios em particular, a
Messênia. Pouco depois, em 362 a.C., as tropas de Tebas, tendo como ponta de
lança o Batalhão Sagrado, enfrentaram a coligação de Esparta e Atenas, em
Mantinéia, num combate que terminou sem vitorioso.
E em 338a.C., em Queronéia, quando Felipe
II da Macedônia, por possuir armamento superior, derrotou a Grécia coligada,
foi ainda o Batalhão Sagrado que lutou mais bravamente.
Por outro lado, na ilha de Creta(como em
Esparta), onde os meninos eram, logo cedo, separados dos pais e criados para a
guerra, os instrutores ficavam preocupados quando, após uma certa idade, algum
dos efebos não tivesse, ainda, escolhido o seu par.
O homossexualismo (a rigor, bissexualismo)
costumou e costuma multiplicar-se em situações,onde:
a-a mulher vivia(ou vive) na reclusão e na desimportância.
Ou
b-grupos de homens passam muitos anos em contato próximo e sem a presença
feminina.
Com pequenas variações, era essa a situação
da mulher na Grécia Clássica.
Já não vemos grandes vestígios do chamado
"vício grego" na Grécia Arcaica, na Ilíada e na Odisséia de Homero(século IX
A.C.). E quanto a Atenas, terra da democracia, cuja cultura fascinaria o mundo
futuro? A posição da mulher não diferia da existente no resto da Hélade.
Lá, as mulheres que adquiriam algum status
e influência político-social eram as hetaíras, prostitutas de alto gabarito,
como Aspásia, amante de Péricles. Mesmo com relação à Macedônia, é preciso
lembrar que o invencível conquistador Alexandre Magno, que sucedeu a seu pai
Felipe, dormia com o valente Eféstion, mesmo depois de Alexandre haver
desposado Roxane.
Vemos, desde já, que o homossexual do
passado era radicalmente distinto do estereótipo efeminado que hoje se faz.
Quanto a Atenas, temos razoável documentação através de seus principais
escritores.
De início, deve ficar claro que, quando
Platão (427-347A.C.) se refere ao amor espiritual entre dois seres (do tipo que
chamamos amor platônico), não se trata de um homem e uma mulher, mas entre o
amante e o amado. O livro que melhor se refere a esse tema é O Banquete, uma
reunião de pensadores, reclinados ao redor de uma mesa, na casa de Agáton.
Vamos citar alguns trechos atribuídos ao
comensal Pausânias:
"Quando o amante e o amado concordam em ter
por lei: um, prestar ao amado todos os serviços que não firam a virtude
e o outro, servir em tudo que não se oponha à justiça e ajudá-lo a tornar-se
sábio e bom... só entao não é desonesto que se concedam favores (sexo) a um
amante."
Em trecho anterior, comenta o mesmo
Pausânias (na tradução de Jorge Paleikat):
"...só aos juramentos de amor permitem os
deuses que sejam impunemente quebrados, pois juras de amor não são juramentos,
o que prova que tanto os deuses como os homens e como a própria opnião pública
daqui concedem todas as licenças aos seus amantes."
E pouco adiante:
"Na Élida e na Beócia (onde fica Tebas) e
em outras regiões, onde o povo não sabe falar, todos consideram simplesmente
como belo concederem-se favores (sexo) aos amantes e pessoa alguma...incrimina
tal ação como desonesta"..."ao contrário, na Jônia e em outras regiões, onde os
gregos vivem sob a soberania dos bárbaros(persas, entre outros) o amor pelos
moços é tido como coisa vergonhosa; é que os próprios bárbaros, temerosos da
estabilidade de suas monarquias despóticas, consideram o amor entre homens como
imoral, bem como a filosofia e a educação física."
( Final da parte 1)
Observação: O presente estudo visa apenas
à objetividade histórica e nada
tem a ver com a opção sexual de cada pessoa, que respeitamos
integralmente.
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