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O
bissexualismo greco-romano - Final
"Deixo duas filhas
imortais: Leuctras e Mantinéia"
(Epaminondas, ao morrer na batalha de Mantinéia-363 AC)
Na verdade, Pausânias (ou Platão?)
considera que, em Atenas, o amor entre homens é mais complexo, devido ao nível
cultural da sociedade ateniense, enquanto que na Élida e na Beócia é tudo mais
simples porque, até mesmo, "não sabem falar" (essa é a razão do termo BEÓCIO,
em Português).
Quanto aos bárbaros (todos que não falavam
o grego), temem essa forma de amor, porque dá coesão à sociedade, ameaçando a
estrutura das suas tiranias.
A certa altura do banquete, quem fala é
Alcibíades (450-404 AC), importante chefe militar ateniense. Seu discurso é em
louvor de Sócrates (470-399 AC), também presente.
Citaremos alguns trechos:
"Sei que não posso contraditá-lo em suas
argumentações e sei também que não posso pôr em prática o que me aconselha.
Quando me afasto um pouco de sua presença, vence-me a ambição das honrarias que
as multidões me oferecem, e por isso eu o evito e fujo e quando o revejo,
envergonho-me de não haver cumprido o que lhe prometera!"
...................................................
"Acreditei que ele sentia uma grande paixão
por minha florescente mocidade e julguei que tal fato importava para mim em
vantagem e ventura: pensei que, em troca dos meus favores, receberia de
Sócrates toda a sua ciência. Sim, eu me orgulhava desmedidamente do brilho da
minha mocidade!"
....................................................
"Assim foi que, como vos dizia, amigos,
fiquei a sós com Sócrates e julguei que este se dispusesse imediatamente a
falar comigo na linguagem que amante e amado empregam quando se encontram a
sós."
.............
"Pois nada do que eu esperava sucedeu.
Sócrates falou comigo sempre na sua maneira habitual e se foi quando o dia
passou."
A seguir, Alcibíades descreve várias outras
tentativas amorosas e igualmente inúteis que fez sobre Sócrates. Elogia-o
também pela fortaleza estóica na guerra. E pelo hábito de passar horas imóvel,
meditando.
O Mundo Romano
Em Roma, ao menos entre o patriciado, a
mulher tinha importância e independência maior do que na Grécia, mas o serviço
militar esteve sempre em torno de dezenas de anos. É sabido que, nas legiões
romanas, os soldados e também os comandantes tinham, em maior ou menor grau,
relações entre si.
No final da República e, depois, no
Império, esse hábito se multiplicou. Como os homens cultos em Roma falavam e
escreviam o grego, o chamado "vício grego" pode ter contribuído também para
isso.
Vejamos o caso do imperador Adriano (76-138
d.C.). Ele herdou o imperio de Trajano, com quem já tinha desentendimentos, em
torno de alguns adolescentes. Passou todo o seu reinado comandando exércitos,
longe de Roma e sempre levou sua mulher, Vibia Sabina e seu "favorito" Antínoo.
Quando Antínoo morreu, o Imperador se desesperou e mandou erigir-lhe um
monumento.
UM RÁPIDO OLHAR NO MUNDO
I-Conventos e Mosteiros
Apesar da pressão religiosa, os conventos e
mosteiros foram sempre uma preocupação para os seus fundadores e para a Igreja,
perante o mundo.Ao fundar o mais antigo mosteiro medieval organizado, São Bento
de Nursia(480-547) criou minuciosas normas: A Regra de São Bento. No capítulo
22: Como devem dormir os monges, encontramos:
4-Esteja acesa, nesse recinto, uma candeia
sem interrupção, até o amanhecer.
7-Que os irmãos mais jovens não tenham leitos juntos, mas intercalados com os
dos mais velhos.
II-O Islã
As leis dos países muçulmanos proíbem expressamente o homossexualismo. Ainda a
24/09/07, o presidente Ahmadinejad afirmou que "no Irã, não existem
homossexuais". Mas, dada a reclusão da mulher muçulmana, cuja inferioridade
consta do próprio Corão, sua declaração é muito suspeita. Para a maioria dos
ocidentais, ainda soa estranho ver homens se beijando e guardas marroquinos
passeando de mãos dadas.
Durante os preparativos revolucionários
para a derrubada do ditador Somoza, na Nicarágua (década de 70), os sandinistas
foram treinar na Líbia e de lá voltaram escandalizados com o homossexualismo.
A jornalista norueguesa Asne Seierstad, em
seu livro O Livreiro de Cabul, narra que, no sul do Afeganistão, onde predomina
a etnia pashtun (criadora do Talibã), não se vê qualquer mulher na rua, mesmo
acompanhada. Mas quando os soldados se sentam em grupo para reuniões, alguns
pares ficam de mãos dadas, com naturalidade. Por outro lado, os senhores da
guerra disputam entre si adolescentes, com aparência e trejeitos
efeminados.
(Final)
Observação: O presente estudo visa apenas
à objetividade histórica e nada
tem a ver com a opção sexual de cada pessoa, que respeitamos
integralmente.
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