O veneno das abelhas e as inflamações - final 
Ronaldo Cláudio Roque da Silva - apicultor  

(continuação - ver parte inicial)

Não deve ter sido à toa que, pelo menos no Egito antigo, as abelhas fossem tidas como insetos sagrados e, assim, livres das experiências de Cleópatra junto aos condenados à morte.

A rainha preocupava-se em encontrar um inseto cujo veneno levasse o infeliz à morte rápida, com o menor sofrimento possível. Ao longo de muitos anos, milhares de condenados morreram de forma horrível, servindo como cobaias às humanitárias experiências da rainha.

Essa prática constatou, não se sabe à custa de quantas pessoas, que o veneno menos cruel era o das vespas. O indivíduo, após ter recebido o veneno, desmaiava, tinha o rosto coberto de suores e morria rapidamente. Por ser um inseto sagrado, a abelha não participou dessa página da história egípcia.

Desde a mais remota antiguidade até hoje, a abelha é conhecida como o inseto que produz o mel. O mel é o carro-chefe do seu prestígio, mas, na medida em que as pessoas vão sendo esclarecidas, vão tomando conhecimento dos outros produtos, tão importantes ou mais do que o mel.

Há o própolis, o pólen, a apitoxina (veneno de abelha), a cera e a geléia real. Mas, antigamente, ninguém conhecia nada além do mel e da cera. O mel,contudo, participou de fatos históricos notáveis que lhe deram ainda maior prestígio.

Por exemplo, potes de mel foram encontrados em escavações arqueológicas no Egito, junto às múmias, em perfeitas condições de consumo, tendo preservado, inclusive, o seu cheiro natural, que tanto o caracteriza.

Outro fato curioso foi o de se saber hoje que, tanto no Egito como na Grécia antiga, o mel era usado no embalsamamento dos mortos.

Alexandre Magno, que certamente nunca foi apicultor e nem mesmo teve tempo de preocupar-se com semelhante atividade, teve seu corpo mergulhado em mel para que fosse levado desde o Oriente Médio, onde morreu, até a capital da Macedônia, onde seria enterrado.

Os indígenas da ilha Sri-Lanka besuntam os pedaços de carne de animais domésticos ou de caça com mel. Em seguida, guardam-nos em buracos de árvores. Após um ano ou mais, alimentam-se com essa carne. Segundo se sabe, não só a carne está conservada como o seu sabor é mais apetitoso.

Há citações sobre o poder curativo do mel em livros hindus com cerca de 3.500 anos.

Hoje, apoiado por um enorme aparato tecnológico, o homem vem analisando, com muito cuidado, cada produto apícola. O que mais se destaca nos dias de hoje é o veneno de abelha (apitoxina), grande inimigo do reumatismo em todas as suas formas.

A medicina empírica, transmitida de pais para filhos e difundida no seio do povo, através de vendedores, animadores, feiticeiros, curandeiros, etc, em todo o mundo passou a ser vista como algo muito sólido e de fundamentos verdadeiros, onde os resultados não decepcionavam. As abelhas eram esmagadas com água e o produto desse preparo era esfregado em locais dolorosos, minorando os males do reumatismo.

Hoje há clínicas especializadas em apiterapia, gerando resultados muito positivos no combate ao reumatismo, principalmente na Rússia, França e Checoslováquia. No Brasil, o único avanço sentido na direção de uma tímida tentativa de tratamento do reumatismo através do veneno de abelha deve-se a alguns apicultores, que tomaram a iniciativa e inventaram ou desenvolveram aparelhos elétricos adequados.

Estes permitem obter alguns miligramas do produto que, misturado a determinados tipos de pomadas ou cremes e aplicados ao local da dor, têm sido de grande valia aos reumáticos.

O veneno de abelha é um anti-inflamatório poderoso, de uso local. É facilmente absorvido pela pele e age de maneira eficiente. Algumas experiências feitas por certos apicultores, no Brasil, acusaram melhoras em 75% das pessoas que concordaram em submeter-se às experiências. Não houve registro algum de casos alérgicos ou de qualquer outra manifestação.

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